Empresa de biotecnologia inaugura sede em Campinas

A empresa de biotecnologia Alellyx inaugurou ontem, no Techno Park, em Campinas, interior de São Paulo, sua sede e laboratórios. A Alellyx foi lançada há oito meses, depois de receber um aporte de R$ 30 milhões da Votorantim Ventures, empresa que trabalha com fundo de capital de risco para apoiar a criação e desenvolvimento de empresas inovadoras. Seu objetivo é oferecer produtos que possam melhorar a competitividade da agricultura brasileira e também buscar o mercado externo. A previsão é de que a Alellyx já possa comercializar um produto em um ou dois anos.A Alellyx surgiu de um grupo de cientistas que se destacaram nas pesquisas de sequenciamento de genes no Brasil e esse é seu grande diferencial. A empresa é tocada por Paulo Arruda, Jesus Aparecido Ferro, João Carlos Setubal, João Paulo Kitajima e Ana Cláudia Rasera da Silva, que vieram de três das maiores universidades brasileiras - USP, Unicamp e Unesp. O também pesquisador Fernando Reinach é presidente interino da Alellyx e também diretor executivo da Votorantim Ventures. Arruda é diretor científico da empresa.Segundo Reinach, apesar da Alellyx esperar ter um produto pronto para o mercado em um prazo de um a dois anos, a Votorantim Ventures calcula que o retorno de seus investimentos não deve acontecer antes de seis ou sete anos. A nova empresa tem 25 pesquisadores, número que deve dobrar, segundo Paulo Arruda. Muitos desses cientistas estavam trabalhando no Exterior e voltaram para o Brasil para trabalhar aqui. São sete funcionários no setor administrativo trabalhando atualmente.Para montar os laboratórios, foram investidos US$ 1 milhão na compra de equipamentos, 90% deles importados, e mais R$ 1 milhão na reforma do prédio. São laboratórios de bioinformática, de biologia molecular, áreas climatizadas para manter as plantas testadas, seqüenciadores de genes, tudo usando tecnologia de última geração. O edifício conta também com um espaço de convivência, onde os pesquisadores podem acessar as últimas revistas e publicações científicas relevantes publicadas no Brasil e no Exterior. De acordo com Paulo Arruda, as compras de produtos importados para os laboratórios foi feita antes do aumento do dólar, por isso a empresa não foi afetada pela elevação da moeda em relação ao Real. Eles contam ainda com uma parceria com a empresa Sun na área de informática.A Alellyx está trabalhando com três das cinco culturas-alvo: cana-de-açúcar, eucalipto e laranja. Em 2003, iniciará as pesquisas com uva e soja. A empresa não revela quem são seus clientes. Ela pode trabalhar projetos de cooperação com uma empresa, que apresenta um problema à Alellyx que só pode ser solucionado utilizando-se de conhecimento e pesquisa científicos. A própria Alellyx pode também tomar a iniciativa, escolhendo problemas da agricultura que ela acredita que possa, pela ciência, solucionar, e oferecer isso ao mercado.Os cientistas utilizam dados já publicados e que são públicos, e também produz sequenciamentos de genes, dos trechos do genoma das culturas escolhidas que eles consideram importantes. Esses últimos dados são sigilosos. Os produtos e tecnologias resultantes disso serão patenteados, mas, de acordo com Arthur Ribeiro Neto, um dos diretores da Votorantim Ventures, o registro da propriedade industrial - se na forma de patente ou de segredo industrial e onde serão feitos os pedidos - será definido pela equipe jurídica da empresa. Os direitos de registro são da Alellyx, a Votorantim Ventures apenas concedeu o investimento para a empresa. O modo de comercialização dos produtos também será definido caso a caso."A Alellyx é um marco no desenvolvimento da tecnologia brasileira, o futuro da agricultura está na biotecnologia e o Brasil está atrasado nesse setor. A China investe quatro vezes mais nessa área", destacou o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, presente na inauguração. O presidente do Grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Moraes, destacou o potencial agrícola do País, ao lembrar que o Brasil tem 20% da água potável do planeta, o que é bom para a irrigação, e 150 milhões de hectares agricultáveis, mas só cultiva cerca de 50 milhões.

Agencia Estado,

08 de novembro de 2002 | 15h34

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