Ibama/AP
Ibama/AP

Empresa nega irregularidades em perfurações e analisa falha

Presidente da Chevron Brasil atribui vazamento a erro de cálculo na lama jogada no poço, recurso para aumentar produção

19 Novembro 2011 | 00h06

O presidente da Chevron Brasil, George Buck, confirmou que o vazamento de petróleo na Bacia de Campos ocorreu numa parte do poço injetor sem revestimento, pouco abaixo da sapata, onde termina a camada de revestimento, localizada a 567 metros de profundidade do subsolo. A extensão do poço a partir do subsolo é de 2.279 metros. A profundidade total, do espelho d'água até o final, é de 3.329 metros.

 

Veja também:
video TV ESTADÃO: 
Vídeo mostra redução de vazamento
linkChevron admite erro de cálculo na produção em Frade
linkBrasil não tem plano de reação para grandes vazamentos

 

Em sua primeira entrevista desde o início do acidente, o executivo negou que a Chevron estivesse perfurando em profundidade acima da permissão que tinha na concessão para explorar petróleo na região.

Segundo ele, o vazamento ocorreu porque houve um erro de cálculo na injeção de lama pesada no reservatório para impedir o retorno do óleo pela tubulação. “Nós subestimamos a pressão no reservatório. O peso da lama foi programado para outra pressão”, afirmou.

 

Ele revelou que técnicos da Petrobrás, que sobrevoaram a área de helicóptero no início da semana, perceberam a mancha de óleo e alertaram a Chevron. A empresa brasileira opera plataformas marinhas em áreas próximas, como a do campo gigante de Roncador.

 

O executivo classificou a segunda-feira como "o pior dia", quando foi identificada uma mancha correspondente a 882 barris de óleo na superfície do mar. Isso ocorreu um dia depois de ter sido introduzida uma quantidade de lama suficiente para interromper o fluxo do óleo e iniciar a cementação do poço.

 

A lama injetada pela Chevron é um material especial usado no processo de produção. O material é introduzido no reservatório deve facilitar a retirada do petróleo. Segundo Buck, com o peso do material, a pressão do óleo foi muito forte e o produto subiu para a parte aberta do poço, de onde vazou.

Investigação. A empresa está, segundo ele, investigando duas questões centrais: por que foi subestimada a pressão e por que houve o vazamento no poço.

 

Sete funcionários da Chevron foram intimados a depor à Polícia Federal sobre o vazamento. De acordo com o delegado Fábio Scliar, responsável pelo caso, cinco engenheiros que trabalham embarcados na plataforma deverão prestar esclarecimentos na próxima semana. Outros dois funcionários administrativos também foram intimados.

Os depoimentos estão previstos para ocorrer na quarta e na sexta-feira. O delegado disse que, por enquanto, não há necessidade de se convocar integrantes da direção da empresa para prestar esclarecimentos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.