Empresa patenteia método de reciclagem de embalagens

Cada vez que o Brasil vira a folha do calendário para mudar de ano, deixa, no lixo, 734,4 milhões de embalagens de óleo lubrificante. Jogados fora, os frascos de 0,035 gramas de plástico soprado, para um litro de óleo, representam um desperdício de 32,1 mil toneladas da resina polietileno de alta densidade (PEAD), no valor de R$ 57,780 milhões. Para reverter esse cenário, a Chemi Market, de São Paulo (SP), desenvolveu um processo de reciclagem para a reutilização do plástico e do óleo que resta nas embalagens. O processo foi patenteado no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), mas ainda não decolou. Segundo a diretora da Chemi Market, Mariângela Guazelli, as fases mais críticas do processo envolvem o recolhimento das embalagens e o tratamento dos efluentes líquidos gerados pela retirada do óleo. A reutilização obrigatória das embalagens de lubrificantes depende de um projeto de lei que imponha a reciclagem - assim como já ocorre com os pneus. Mas o assunto deve entrar em pauta em breve. Ainda neste ano deverão ser estudados projetos para tornar a reciclagem das embalagens obrigatória, na Câmara Técnica de Energia, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), do Ministério do Meio Ambiente. Como não se trata de um projeto de lei, o recolhimento compulsório das embalagens não precisa ser votado no Congresso ou esperar o ano seguinte para entrar em vigor. A obrigatoriedade do recolhimento das embalagens representará meio caminho andado para o País reduza o desperdício. A Midas Elastômeros do Brasil, do grupo paulista Vibrapar, exemplifica o que pode acontecer a partir da normatização sobre o descarte pós-consumo. Desde o final de 2001, a empresa recicla pneus por um processo que separa todos os insumos usados na produção original: nylon, negro de fumo, borracha e aço. O problema do recolhimento dos pneus usados acabou em janeiro, quando entrou em vigor uma lei que proíbe o descarte desses produtos nos lixões. Para não serem multados, os consumidores pagam para que a Midas recolha os pneus a serem reciclados. O projeto da Chemi Market para as embalagens de óleo exige investimento inicial de US$ 5 milhões, com retorno em dez anos. No primeiro ano, a projeção é reciclar 15 mil toneladas de embalagens, até chegar a 35 mil toneladas. Embora existam linhas de crédito específicas para esse tipo de negócio, a diretora da Chemi Market reclama das garantias exigidas. "Quem possui bens nesse montante não precisa do empréstimo", ironiza a executiva. "No primeiro ano, poderíamos usar apenas 50% da capacidade instalada, porque não conseguiríamos recolher todas as embalagens descartadas", avalia. Para viabilizar o negócio, a unidade deveria ser instalada no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Os dois Estados, juntos, consomem 607 milhões de litros de óleo lubrificante por ano, o que representa 82,69% do total de embalagens descartadas no País. O preço do produto reciclado é estimado em R$ 1.200 por tonelada, ou R$ 600 a menos do que o cobrado pelo material virgem. O custo da operação resume-se a R$ 500 por tonelada e consiste no recolhimento das embalagens, calculado em R$ 400 por tonelada, e o processo de reciclagem em si, de R$ 100 a cada mil quilos processados.

Agencia Estado,

10 de abril de 2002 | 19h57

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