Empresas e ambientalistas criam ong para Mata Atlântica

Foi lançado hoje, no Rio de Janeiro, o Instituto BioAtlântica (IBio), uma organização não-governamental inédita, formada por uma entidade ambientalista, a Conservation International (CI) e quatro grandes empresas, Aracruz Celulose, Petrobras, DuPont do Brasil e Veracel Celulose. O objetivo é unir esforços para a conservação da Mata Atlântica, bioma altamente ameaçado, com apenas 7,2% de remanescentes.?A idéia é unir o conhecimento científico dos ambientalistas do CI com os ativos e conhecimento de mercado do setor privado e, assim, ampliar e tornar mais eficientes as iniciativas de conservação da biodiversidade?, disse André Guimarães, diretor executivo do IBio. Para começar a operar, a nova entidade contará com um aporte de US$ 1 milhão, nos cinco primeiros anos, sendo US$ 200 mil de cada um dos parceiros.Segundo Guimarães, o IBio não será um financiador de projetos, mas uma entidade catalisadora entre poder público e setor privado, incluindo empresas, fazendeiros e ongs locais, para desenvolver projetos conjuntos e buscar recursos para executá-los. ?O objetivo é que o Instituto seja independente financeiramente a partir do quinto ano?, diz.A estratégia da organização será trabalhar em três frentes: conservação e preservação dos remanescentes, recomposição de Mata Atlântica - unindo os atuais fragmentos em corredores - e o desenvolvimento sustentável. ?Não adianta conservar ou restaurar sem viabilidade econômica?, defende o diretor executivo. As áreas de atuação da nova ong, inicialmente, serão o extremo sul da Bahia, a região central do Espírito Santo e a região serrana do Rio de Janeiro.O primeiro projeto consiste em viabilizar a criação de um corredor ecológico na Bahia, conectando o Parque Nacional Pau-Brasil à Estação Veracruz, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da Veracel. As duas unidades são separadas por 8 quilômetros de fazendas produtoras de eucalipto e fruticultura. O objetivo do IBio, conforme Guimarães, é sensibilizar os proprietários para que mantenham o pouco de florestas que ainda possuem, transformando-as em áreas de conservação. ?Além disso, vamos recompor as matas ciliares, os vales e as nascentes?, disse.Nas outras duas regiões de atuação, as metas são unir fragmentos florestais de diversos proprietários, no Espírito Santo, e propor ações para criar conectividade entre unidades de conservação como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, a Área de Proteção Ambiental de Petrópolis e a Reserva do Tinguá, entre outras, no Rio de Janeiro.

Agencia Estado,

29 de julho de 2003 | 10h57

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