Empresas prometem dragagem ecológica em Santos

A dragagem do canal de Piaçagüera do Porto de Santos, paralisada desde 1997, pode ser retomada. A pedido do Ministério Público, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) impediu a retirada de areia no local por sete anos porque o lodo trazido à tona e posteriormente jogado no Oceano estava contaminado de produtos químicos, causando risco para o ambiente e para a população. Diante dessa situação, as siderúrgicas Usiminas e Cosipa e a empresa de fertilizantes Fosfertil (ex Ultrafertil) iniciaram em 2000 estudos para um projeto ecologicamente responsável para recomeçar a dragagem. As empresas pretendem investir R$ 60 milhões no desassoreamento do canal. O custo da dragagem será cinco vezes maior do que a convencional, pois estão previstas obras para dar um destino adequado ao material retirado.O Conselho Estadual do Meio Ambiente, com 36 representantes, deve se reunir dentro de 40 dias para dar um parecer sobre o Estudo de Impacto Ambiental (Eia-Rima) do projeto, cujo início terá de ser autorizado pela Secretaria estadual do Meio Ambiente e licenciado pelo Ibama. Uma vez iniciados, os trabalhos devem prosseguir por três anos. O Eia-Rima foi debatido numa audiência pública que reuniu cerca de 500 pessoas em Cubatão (SP) no último dia 2. Ambientalistas e Ongs resistem ao início da operação. "Mas tenho certeza de que o projeto vai sair", afirma o presidente da Cosipa, Omar Silva Júnior. Segundo ele, sem a dragagem, a navegação no porto é prejudicada, com consequências graves para o comércio exterior. O canal deveria ter profundidade mínima de 12 metros e atualmente está com oito. Como a embarcação corre risco de bater no fundo, navios com capacidade de 45 mil toneladas são carregados com 37 mil toneladas para ficarem mais leves. Embarcações grandes não podem nem chegar perto. Além disso, segundo ele, os navios são obrigados a atracar cada vez mais longe do cais, o que traz dificuldades logísticas e riscos de cargas tóxicas caírem no mar. "Com esses problemas, a Cosipa perde cerca de US$ 1 milhão por ano só no caso do comércio de carvão", afirma Silva.A Usiminas, a Cosipa e a Fosfertil pediram ajuda à Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (Fundespa), que estuda as condições do estuário. Chamaram também o Exército Americano (United States Army Corp. of Engineers), que tem know-how em dragagem ambiental nos portos dos EUA. Segundo Silva, a construtora Camargo Correa , que venceu licitação para fazer a dragagem no porto, vai utilizar navios-draga com tecnologia holandesa. Sete dragagens desde 1965As águas do Rio Cubatão, Quilombo e Mogi trazem sedimentos da Serra do Mar que se depositam no Canal de Piaçagüera, por isso a necessidade de dragagem ali é constante e tem sido feita desde 1965. Já houve sete dragagens no local desde então. O material dos rios é poluído por causa das indústrias do pólo industrial de Cubatão. Antigamente, a lama era retirada e simplesmente jogada no fundo do mar. "Não havia nenhuma consciência em relação ao meio ambiente", afirma Silva. A nova dragagem deve ser feita em quatro fases, com a retirada de 2,5 milhões de metros cúbicos de material do fundo do mar. As alternativas para disposição do material são construir cavas submersas no Rio Cubatão e diques para escoar o material. Em todos os casos, haverá monitoramento químico das águas e dos sedimentos. Mas a interferência deve, mesmo assim, causar impacto no meio ambiente. Haverá alteração na qualidade da água. As obras das cavas e dos diques também devem causar alguns danos para a fauna e vegetação local. Mesmo assim, as empresas envolvidas defendem o projeto porque, segundo elas, os prejuízos para a economia serão cada vez maiores caso não haja solução para a falta de profundidade das águas. Os terminais marítimos do Pólo de Cubatão, segundo a Cosipa, recebem 50 navios por mês. Por ano, são 6,6 milhões de toneladas de carga de importação (carvões, coque, fertilizantes, carga industrial e outros); no fluxo de exportação, são 2,9 milhões de toneladas por ano, (principalmente produtos siderúrgicos e coque), com vendas externas anuais de US$ 416 milhões. Sugestões sobre esse projeto podem ser feitas para o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp/Cubatão) pelo telefone (13) 3362-2070.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2004 | 11h29

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