Encontro no Rio será o primeiro evento internacional do novo papa

Porta-voz do Vaticano diz que o sucessor de Bento XVI participará da Jornada Mundial da Juventude

Jamil Chade e Filipe Domingues - O Estado de S.Paulo,

14 Fevereiro 2013 | 16h56

CIDADE DO VATICANO - O Brasil será o primeiro palco internacional do próximo papa e o primeiro grande encontro do pontífice com um grupo considerado estratégico para o futuro da Igreja: os jovens. A informação é do porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, que nesta semana tem sido o rosto público da Santa Sé, sendo obrigado a enfrentar todos os dias centenas de jornalistas questionando o futuro da Igreja.

O Vaticano dá todas as indicações de que a primeira viagem internacional do próximo papa será justamente ao Rio de Janeiro, em julho, para participar da Jornada Mundial da Juventude. Em entrevista ao Estado e outro meio brasileiro, Lombardi deixou claro que o evento, na prática, simbolizará o encontro do novo Papa com os jovens de todo o mundo.

Eis os principais trechos da entrevista, concedida em seu escritório, repleto de papeis e com uma enorme foto do papa João Paulo II:

Com todo essa mudança histórica na Igreja, como será feita a tradução desse momento aos jovens no Rio de Janeiro?

Isso vai depender evidentemente do novo papa. Não sabemos ainda quem será. Mas estamos certos de que será um grande líder religioso e que saberá entusiasmar a Igreja e os jovens. Na sua humildade, o papa Bento XVI afirma que chegou o momento de passar o governo da Igreja a outra pessoa com mais vigor físico e mental, no sentido mais geral. Pensa que seu sucessor possa ser uma pessoa mais jovem e com força para que sua relação com o mundo jovem seja fortalecida, ainda que sua relação com os jovens tenha sido belíssima e de grande sabedoria, de alguém de grande experiência que escutou com respeito e atenção os jovens que viram nele não apenas a cabeça da Igreja, mas a sabedoria de experiência espiritual. No fundo, foi um gesto gentil do atual papa à juventude do mundo de dar a possibilidade de encontrar com seu sucessor num momento tão importante como a jornada do Rio.

O papa pediu em plena missa uma maior união da Igreja. O que queria dizer tudo aquilo e como a juventude precisa receber essa mensagem?

A mensagem de ontem era uma mensagem clássica. Foi o início da quaresma e o papa deu uma demonstração de conversão importante na história recente. É uma mensagem eterna. É para todos. Para os mais velhos e jovens. O que ocorre é que ela precisa ser aplicada na integralidade. Para os jovens, há ainda o sentido moral. Tem uma maior responsabilidade de entender a conversão e o que o senhor coloca diante deles: escolher entre ser generosos ou egoístas. Buscar o poder e sucesso ou também pensar em se ocupar dos demais. Essa não é uma questão apenas para os mais velhos, mas também para os jovens. Os jovens devem aplicar a mensagem da coerência radical à chamada do evangelho, como todos, mas de forma específica, devem responder a uma vocação que vai durar a vida inteira. Os jovens tem a vida inteira pela frente. Nesse sentido, a mensagem da conversão é importantíssima para eles e uma mensagem que os papas - João Paulo II e Bento XVI - fizeram sempre que é a da responsabilidade. Jesus te chama e te oferece a possibilidade de realizar na nossa vida, no amor e no trabalho a construção de um mundo melhor.

Na Europa, muitos indicam que o desenvolvimento foi acompanhado por uma maior secularização da sociedade, um maior materialismo. No Brasil e outras regiões, os países caminham ao desenvolvimento. Há o medo na Igreja de que ocorra o mesmo?

Os riscos e os problemas da Igreja, do futuro, da juventude no Brasil cabe a vocês avaliarem, com o clero e a comunidade eclesiástica no Brasil. Certamente, há um problema perene de não deixar empobrecer o ânimo quando a matéria e o corpo se enriquecem. Porém, é preciso ver nas diversas situações como enfrentar cada situação e seus problemas. Também não quer dizer que uma situação de grande pobreza signifique automaticamente uma grande riqueza espiritual. Pessoas muito pobres podem se tornar violentas no confronto com os outros, já que o sentimento de falta o faz buscar uma forma de se enriquecer. É preciso que cada um, na sua situação concreta, encontre o que o evangelho lhe diz para vivê-la bem, como um caminho para construir um mundo melhor para todos.

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