Endeavour tem novos problemas em saída ao espaço

Roupa de astronauta apresentou níveis elevados de CO2; trapulante não sofreu sintomas adversos

Reuters

21 de novembro de 2008 | 15h16

Tripulantes do ônibus espacial Endeavour enfrentaram mais dificuldades na sua segunda saída ao espaço, na quinta-feira, 20, quando a roupa de um astronauta apresentou níveis elevados de dióxido de carbono. Na missão anterior, um colega dele perdera a sacola de ferramentas no espaço.     Veja também: Astronautas da ISS concluem segunda caminhada espacial Roscosmos diz que há condições de prolongar vida útil da ISS Estação espacial internacional, a ISS, faz dez anos Astronauta perde a bolsa no espaço Endeavour se acopla à ISS em missão para ampliar complexo Urina purificada servirá de água potável para astronautas   Heidemarie Stefanyshyn-Piper e Shane Kimbrough voltaram à câmara de ar Quest, na Estação Espacial Internacional (ISS), às 22h43 (hora de Brasília), depois de passarem 6 horas e 45 minutos no espaço.   A principal tarefa deles era consertar uma das duas dobradiças que permitem movimentar as "asas" da Estação na direção do sol, sua fonte de energia.   Os astronautas tiveram de dividir pistolas de graxa e outras ferramentas depois que o kit de Stefanyshyn-Piper saiu flutuando pelo espaço, na terça-feira. Seu conteúdo era avaliado em 100 mil dólares.   Durante a saída de quinta-feira, 20, os níveis de dióxido de carbono dentro do traje de Kimbrough subiram acima do limite adotado pela Nasa. O astronauta teve de voltar â câmara de ar um pouco antes do previsto.   "Não representou uma mudança drástica nos nossos planos", disse John Ray, coordenador de caminhadas espaciais da Nasa. Kimbrough, segundo ele, não correu riscos e nem sofreu sintomas adversos.   Foi a segunda das quatro caminhadas espaciais planejadas para os 15 dias de missão. Já houve uma reprogramação depois que Stefanyshyn-Piper perdeu as ferramentas.   Na atividade de quinta-feira, ela usou toalhas pré-lubrificadas para capturar partículas metálicas, enquanto Kimbrough usava a pistola de graxa restante para trabalhar no braço mecânico da estação, onde o Endeavour atracou no domingo, com a tarefa de ampliar o complexo orbital de modo que ele possa receber seis tripulantes permanentes.   Atualmente, grupos de três se revezam na estação, cujo primeiro módulo completou dez anos de lançamento na quinta-feira, 20. Aquele compartimento, o Zarya, foi financiado pelos EUA e construído pela Rússia.   Esses não foram os únicos problemas na semana do aniversário da estação. A tripulação da ISS realiza cultivos em uma estufa orbital, mas por uma distração acabou favorecendo também a criação de fungos no módulo russo Zarya, revelou o Instituto de Problemas Biomédicos da Academia de Ciências da Rússia.   Os cosmonautas se lavaram na unidade Zarya e estenderam as toalhas molhadas e a roupa nos painéis, explicou a chefe do laboratório de microbiologia do instituto, Natalia Novikova, citada pela agência de notícias oficial Itar-Tass.   Como conseqüência houve a formação de fungos, o que contribuiu para uma "piora significativa das condições microbiológicas e sanitárias no módulo", acrescentou.   A aparição de fungos na ISS pode provocar graves danos à saúde dos cosmonautas, especialmente pela possibilidade de causarem fortes alergias.   Para evitar riscos, os especialistas "limitaram imediatamente o uso da unidade para procedimentos sanitários e higiênicos" e ordenaram aos cosmonautas que façam uma limpeza geral do módulo Zarya, cujo lançamento ao espaço há exatos dez anos representou o início do funcionamento da ISS.   Agora este problema foi solucionado definitivamente, já que na segunda-feira passada, a nave Endeavour transportou à plataforma orbital uma cabine que permite aos cosmonautas se lavarem.   Além disso, o novo cargueiro Progress M-01-M, cujo lançamento está previsto para o próximo dia 26, transferirá à ISS um segundo sistema de limpeza de ar Potok, como o que já funciona com sucesso no módulo de serviço Zvezda.   A ISS   A Nasa pretendia concluir a estação em oito anos, mas atrasos por causa do acidente com o ônibus Columbia, em 2003, provocaram um adiamento para 2010.   "Tivemos várias questões significativas para lidar na Estação Espacial Internacional, e a solução para eles sempre foi nos unir aos nossos parceiros", disse o subgerente da Nasa para a estação, Kirk Shireman.   O complexo, orbitando 340 quilômetros acima do planeta, tem um custo de 100 bilhões de dólares, dividido entre 16 países. Desde a chegada do Zayra, a estação já completou 57,3 mil órbitas em torno da Terra e recebeu 167 pessoas - inclusive 6 turistas - de 15 países, entre eles o Brasil.   A atual missão do Endeavour é a 27ª de um ônibus espacial na estação. Ainda há oito viagens programadas antes que os ônibus norte-americanos sejam aposentados, em 2010. Uma outra missão está programada para realizar a manutenção no telescópio orbital Hubble.   (Com Efe)

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