Blog do Google/Divulgação
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Engenheira do Google bate recorde de cálculo do Pi

31,4 trilhões de dígitos foram calculados sem o uso de supercomputadores, com tecnologia em nuvem

André Caceres , O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 11h20

No dia 14 de março, comemora-se o dia do Pi, a mais antiga constante matemática conhecida. Costumeiramente arredondado para 3,14, esse número é o resultado da divisão da circunferência de qualquer círculo por seu diâmetro. Como o Pi é um número irracional, tem uma quantidade infinita de dígitos após a vírgula. Na última quinta-feira, o Google anunciou a quebra de um recorde: calculou a maior quantidade de dígitos de Pi.

"Esse cálculo não tem uma aplicação prática para a ciência ou a matemática. Você só precisa saber o Pi com uma precisão de 100 dígitos para enviar foguetes para o espaço", explica Emma Haruka Iwao, a engenheira do Google que liderou a equipe recordista. "Porém o cálculo de Pi é uma referência para o teste de performance de um supercomputador", acrescenta.

Emma levou ao todo quatro meses para determinar nada menos que 31,4 trilhões de dígitos de Pi. No entanto, o recorde em si não é a novidade mais interessante dessa façanha, ela acredita.  O mais impressionante do feito de Emma é como ela alcançou esse resultado, sem o auxílio de um supercomputador. Ela usou uma ferramenta chamada y-cruncher, criada por Alexander J. Yee, em 25 máquinas virtuais por meio do Google Compute Engine, um serviço que permite requisitar poder de processamento pela nuvem.

"No passado, tínhamos que usar supercomputadores para realizar uma tarefa como essa, e quase ninguém tinha acesso a isso", conta Emma. "Hoje, qualquer um pode usar máquinas virtuais. Computação em nuvem é uma nova maneira de se calcular. Em vez de ir a uma loja e comprar, você pode pedir uma máquina por dez segundos, por exemplo. Não há necessidade de possuir todo o poder de processamento que você está usando."

Essa é a primeira vez que o recorde de cálculo do Pi é batido apenas por serviços em nuvem, mas Emma acredita que a marca deve ser batida em breve. "Tenho certeza de que esse recorde será quebrado, e isso é bom, porque significa que teremos computadores cada vez melhores."

Por meio de ferramentas disponíveis para qualquer pessoa, Emma foi capaz de uma façanha que antes era reservada apenas a quem tivesse acesso a supercomputadores. Essa é uma boa forma de ilustrar o que se convencionou a chamar de Lei de Moore, uma observação de Gordon E. Moore que previa crescimento exponencial na capacidade computacional, e vem se mantendo mais ou menos precisa desde 1965. 

O supercomputador mais potente do mundo em 1997 era o ASCI Red, projeto do governo americano que custou US$ 55 milhões, ocupava 150 metros quadrados e utilizava eletricidade equivalente a 800 casas. Nove anos mais tarde, a Sony lançou no mercado o Playstation 3, um videogame com capacidade de processamento comparável à do Red. "No período de uma década, um computador capaz de processar 1.8 teraflop passou de um dispositivo que só poderia ser fabricado pelo governo mais rico do mundo para finalidades que beiravam o impossível em termos de capacidade de processamento para algo que um adolescente poderia esperar encontrar na sua árvore de Natal", brincou o jornalista britânico John Lanchester, em um artigo no London Review of Books, em 2015. 

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