Entidades querem garantir instalação de Estação Ecológica

Representantes de organizações não-governamentais e do Ibama estão reunidos, entre hoje e amanhã, em Maceió, para discutir a instalação da Estação Ecológica de Murici, em Alagoas. Criada em julho do ano passado pelo governo federal, essa área de proteção abriga o maior número de aves ameaçadas de extinção entre os remanescentes de Mata Atlântica do Nordeste. Apesar disso, ainda existe somente no papel, pois toda sua extensão é ainda propriedade particular.Localizada a 51 quilômetros de Maceió, em uma região de expansão dos canaviais e da pecuária, a Estação Ecológica abrange área de três municípios - Murici, Messias e Flexeiras - e representa um complexo de fragmentos de Mata Atlântica de 6 mil hectares. Das 13 espécies de aves ameaçadas de extinção da reserva, duas são endêmicas, ou seja, só existem ali: o limpa-folha-do-Nordeste e a choquinha-de-Alagoas.?Murici e sua Estação Ecológica têm valores inestimáveis para a conservação dos remanescentes de Mata Atlântica no Nordeste. Se o trabalho de conservação desta área não for feito, em breve as aves da região estarão extintas?, diz Helena Maltez, engenheira agrônoma do WWF-Brasil. Por conta disso, o WWF e a Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE) firmaram uma parceria para facilitar a implantação da reserva.As oficinas, que têm o objetivo de reunir todos os setores envolvidos - ONGs, prefeituras, polícia ambiental, Incra, proprietários -, vão resultar em um plano de ação que leve à implantação da Estação Ecológica. Além disso, o projeto inclui um levantamento fundiário, que deve subsidiar o Ibama, gestor da unidade de conservação, para regularizar a área. ?O Ibama está bastante interessado em resolver a questão e até há negociações para conseguir recursos de ações compensatórias para as desapropriações, mas o processo é lento e a degradação é rápida?, diz Dorinha Melo, conselheira da SNE e coordenadora do projeto.As entidades ambientalistas pretendem ainda consolidar um mapa com as delimitações das cerca de 30 propriedades dentro da Estação Ecológica. ?Mas temos tido dificuldades com a falta de informações dos cartórios e com as negociações em campo com os proprietários?, conta Dorinha. A desarticulação das ONGs locais e a falta de estrutura do Ibama, para garantir o monitoramento da área, também são apontados como desafios a serem vencidos para a efetiva proteção de Murici.

Agencia Estado,

06 de fevereiro de 2002 | 14h34

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