Época de mudanças dificulta evangelização, diz bispo

Para d. Queirós, mundo vive época de mudanças comparável à passagem da Idade Média para a Idade Moderna

José Maria Mayrink, Agência Estado

03 de abril de 2008 | 18h36

O bispo de Catanduva, São Paulo, d. Antônio Celso de Queirós, afirmou nesta quinta-feira, 3, que o principal desafio enfrentado pela Igreja na evangelização é o fato de o mundo estar vivendo uma época de mudanças só comparável ao que ocorreu no século 16, na passagem da Idade Média para a Idade Moderna.  Veja comentário do repórter José Maria Mayrink sobre a assembléia  "Todas as instituições - não só a Igreja, mas também o governo e a escola - se questionam diante de uma realidade que nos propõe uma nova postura cultural", disse d. Celso. Presidente da Comissão de Elaboração das Diretrizes da Ação Evangelizadora, tema central da 46ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Celso lamentou o impacto das mudanças na comunidade cristã, especialmente entre os jovens. Um exemplo, segundo o bispo, é a falta de interesse dos jovens pela política. "Quem se interessa hoje pela política, ao contrário de dez anos atrás, é quem quer subir na vida, pois o que conta hoje não é a valorização de programas que ajudam o povo, mas o hedonismo de quem só quer gozar a vida, numa sociedade que defende o lema de cada um por si e Deus por mais ninguém", observou d. Celso. "Como anunciar Jesus Cristo a essa sociedade?", essa é a pergunta que os bispos fazem em Itaici, no município paulista de Indaiatuba, onde estarão reunidos até o próximo dia 11. As Diretrizes da Ação Evangelizadora tentarão incorporar à pastoral da Igreja no Brasil as orientações do Documento de Aparecida, aprovado em maio do ano passado pela 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em Aparecida. "Muitas coisas que a Conferência aconselhou aos episcopados latino-americanos nós já aplicamos aqui", disse o arcebispo de Porto Velho, Rondônia, d. Moacyr Grechi, também membro da comissão que preparou o projeto de Diretrizes da Ação Evangelizadora. D. Moacyr elogiou a atuação das Comunidades Eclsiais de Base (Cebs) que, conforme lembrou, sofreu resistência na reunião de Aparecida.  O bispo de Lorena, São Paulo, d. Benedito Beni dos Santos, ressaltou a importância de um plano de evangelização. "A Igreja deve ser missionária e deixar de lado uma pastoral de manutenção para sair em busca dos católicos que abandonaram a prática religiosa e a solidariedade para com seus irmãos." Na avaliação de d. Beni, as diretrizes pastorais que a Igreja renova a cada quatro anos vêm produzindo bons frutos. "Conseguimos, por exemplo, estancar a partir de 2002 a evasão de fiéis que marcou os anos anteriores", afirmou.

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