Equipe acha 43 espécies de peixe-elétrico no Amazonas

Em 1992, a pesquisadora Cristina Cox Fernandes, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Impa) e da Universidade de Massachusetts em Amherst, e colegas começaram a coletar com uma rede de arrasto peixes no Rio Amazonas. Pegaram principalmente bagres e peixes-elétricos, que vivem no fundo do rio.Quarenta mil peixes-elétricos depois, os pesquisadores acharam 43 espécies deles e publicaram nesta sexta-feira um estudo na revista Science mostrando que a diversidade desses peixes aumenta cada vez que o Amazonas recebe as águas de 13 de seus afluentes - entre eles os Rios Madeira, Negro, Tapajós e Xingu.No entanto, diferente do que já havia sido encontrado em outros rios, a diversidade de peixes-elétricos no início do Amazonas e no seu fim é basicamente a mesma."Isso sugere que o efeito dos afluentes é local e não se traduz em um aumento da riqueza de espécies quando se desce o rio", afirmam Claude Gascon e Michael Leonard Smith, da Conservação Internacional, em artigo que acompanha o trabalho de Cristina.O motivo pelo qual não há um aumento da diversidade ainda não tem resposta, mas Cristina aponta uma hipótese: "Talvez eles se restrinjam à área perto dos afluentes."O próximo passo do estudo é, segundo ela, fazer o mesmo com outros peixes que vieram na rede para verificar se o mesmo ocorre com eles."Se quisermos fazer melhor uso do Amazonas, temos de decidir onde conservar a biodiversidade. Só podemos responder à essa questão com informações detalhadas sobre as espécies e sua distribuição como a apresentada por Fernandes e colegas", escrevem Gascon e Smith.

Agencia Estado,

24 de setembro de 2004 | 17h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.