Equipe de físicos volta a dizer ter detectado matéria escura

Detector subterrâneo na Itália teria encontrado partículas misteriosas em 2000; outros cientistas estão céticos

Dennis Overbye, The New York Times,

17 de abril de 2008 | 15h58

Uma equipe formada por físicos italianos e chineses reafirmou sua controversa reivindicação de ter detectado a misteriosa matéria escura, partículas que, segundo os astrônomos, cercam as galáxias em halos e governam a evolução do Universo.   A equipe, chamada Dama (de "DA"rk "MA"tter) e chefiada por Rita Bernabei, da Universidade de Roma, afirma, desde 2000, que a modulação anual da taxa de sinais captados por um detector instalado a quase dois quilômetros de profundidade, abaixo do monte Gran Sasso, na Itália, é produzida pela passagem ad Terra por um "vento" de partículas de matéria escura. Outros grupos em busca da matéria escura vêm, consistentemente, falhando em encontrá-la.   Durante uma reunião em Veneza, Rita informou que um novo experimento, chamado Dama/Libra, observou a mesma modulação. "Não há, até agora, nenhum outro experimento cujos resultados possam ser comparados de forma independente deste modelo", disse ela. A nova descoberta aumenta a probabilidade de que a modulação seja real, dizem especialistas em matéria escura de fora do grupo Dama.   A matéria escura vem frustrando os astrônomos e físicos desde que o astrônomo Fritz Zwicky, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, notou, nos anos 30, que aglomerados de galáxias parecem não conter matéria visível em quantidade suficiente para mantê-los unidos por gravidade.   As especulações centram-se na possibilidade de a matéria escura consistir de partículas elementares que sobraram do Big Bang, os chamados wimps, ou partículas dotadas de massa de interação fraca, que são imunes à maioria das forças da natureza e, com isso, passam através da Terra como se fossem fantasmas.   A equipe Dama utiliza iodido de sódio, que emite um sinal de luz quando um wimp se choca com ele, como detector. O primeiro experimento, que transcorreu entre 1996 e 2002, usou 110 kg de iodido; o segundo, que começou em 2003, 250 kg. Em ambos os casos, Rita e seus colegas descobriram que a taxa de lampejos era mais alta em junho e mais fraca em dezembro. O forte ceticismo do restante da comunidade de pesquisas de matéria escura quanto aos resultados de 2000 do Dama levou a ressentimentos, como está aparente no website do grupo, people.roma2.infn.it/dama/web/home.html.   Berbard Sadoulet, um caçador de matéria escura de um grupo rival na Universidade da Califórnia, Berkeley, que esteve presente durante a conferência, disse dos novos resultados: "A tensão entre as medições desse grupo e do resto da comunidade está aumentando". Ele acrescentou que levará tempo para digerir os resultados do Dama. Juan Collar, da Universidade de Chicago, membro de um terceiro grupo de matéria escura, disse que as pessoas ficaram entusiasmadas com os novos resultados. "Não dá para pôr a mão no fogo que são os wimps", disse ele, mas acrescentou que certos tipos de wimp estariam entre várias possibilidades, incluindo um erro no experimento.   Ele disse que será preciso muita evidência, de diversas fontes, para resolver o problema da matéria escura. Quando isso acontecer, "veremos que foi o trabalho de um bocado de gente achando o ouro", disse ele, acrescentando que "é muito delicado, o que estamos tentando fazer".

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