Equipe diz estar perto de antídoto contra antraz

Uma equipe de cientistas americanos anunciou ter dado importante passo na sintetização de um antídoto para a bactéria antraz. Essa bactéria tem sido usadapor terroristas para cometer atentados por meio de cartas, que provocaram a morte de cinco pessoas em fins do ano passado nos Estados Unidos.As pesquisas, feitas em laboratórios da Universidade do Texas por um grupo chefiado pelo professor George Giorgiou, serão publicadas na edição deste mês da revista Nature Biotechnology. A equipe conseguiu isolar os anticorpos necessários paraneutralizar a toxina do antraz.Se os testes que estão sendo realizados derem bons resultados, como se espera, os anticorpos poderiam ser injetados em pessoas contaminadas que não tenham desenvolvido a doença ou em pacientes na fase intermediária da enfermidade.Depois de inalado, ingerido ou penetrado no corpo através de ferimentos abertos, o bacilo do antraz (bacillus anthracis) precisa ultrapassar uma primeira barreira de defesa do corpo humano: os macrófagos, células que fagocitam e destroem agentes patogênicos estranhos. Muitos esporos de antraz não resistem aesse ataque. Mas alguns podem superar o obstáculo e dirigir-se a glândulas linfáticas, onde se multiplicam e liberam uma substância tóxica. Os estudos da equipe se concentraram nessa toxina, composta de três proteínas. Cada uma delas tem um papel cuja ação combinada destrói os macrófagos. Os cientistas investigaram uma dessas proteínas, conhecida como PA, que abre o macrófago como uma chave abre uma fechadura, permitindo a entrada nele das demais. O anticorpo produzido pela equipe doprofessor Georgiu impede que o PA desempenhe seu papel. Os anticorpos são estáveis e resistentes ao calor, podendo ser facilmente transportados.Não se conhecia, até agora, nenhum medicamento eficaz contra o antraz. Há 30 anos, foi produzida uma vacina, também fundamentada na proteína PA, mas são necessárias várias doses para se obter resultados. Além disso, ela provoca efeitos colaterais.

Agencia Estado,

31 de maio de 2002 | 23h03

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