Equipe econômica boicota lei da mata atlântica, diz Feldmann

O autor do projeto original de proteção da mata atlântica, ex-deputado Fabio Feldmann, criticou nesta quinta-feira a equipe econômica por boicotar a votação da proposta no Congresso, com a ajuda do PPB, PFL e PMDB. "Estou perplexo e surpreso", afirmou Feldmann, representante da Presidência da República para a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10.O assessor disse que as bancadas governistas foram orientadas pela área econômica, que considerou despesas para o governo os incentivos fiscais para quem proteger a mata atlântica, previstos no texto. "É uma visão estreita e equivocada", disse.Segundo ele, os estímulos econômicos são, na prática, investimentos em "um dos biomas mais ameaçados do País", pelos benefícios que proporcionariam, como a proteção da rede de drenagem, mananciais, solo e biodiversidade.Feldmann também lembra que há cinco anos os incentivos fiscais foram incorporados ao texto original do projeto apresentado por ele em 1992. E agora que o projeto estava em regime de urgência na pauta da Câmara é que a equipe econômica resolve rediscutir o assunto. Ela contou com a ajuda de parlamentares da base governista para impedir a votação antes do recesso parlamentar.O deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), um dos autores do requerimento que retirou na quarta-feira o projeto da pauta da Câmara diz ser preciso negociar com todos os setores. "O projeto não nos atende", afirma. O parlamentar reclama que as araucárias, no Paraná, passariam a ser consideradas parte da atlântica, o que implicaria maiores restrições para a exploração.Feldmann e ambientalistas contavam com a aprovação do projeto para reforçar a posição do Brasil na conferência Rio+10, em agosto e setembro, em Johannesburgo, África do Sul.

Agencia Estado,

20 de junho de 2002 | 20h17

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