Equipe espera encontrar novas espécies de hominídeos

Os pesquisadores australianos que descobriram na ilha indonésia de Flores uma espécie de hominídeo, que viveu há menos de 20 mil anos, esperam encontrar outras nas ilhas vizinhas."A descoberta desta espécie autóctone em Flores permite supor que haveria também espécies similares autóctones em outras ilhas das imediações, disse nesta quinta-feira Mike Morwood, líder da equipe da Universidade da Nova Inglaterra.Ele acha muito provável encontrar pequenas populações singulares de hominídeos em áreas de Lombok, Sumbawa, Timor e Sulawesi. "E cada uma delas seria uma espécie distinta, porque teriam evoluído separadamente."Desde a descoberta do Homo floresiensis, ocorrida em setembro de 2003 - e anunciada nesta quarta-feira -, os cientistas já encontraram na mesma ilha de Flores os fósseis de mais sete indivíduos características parecidas."Os outros indivíduos têm características similares e têm entre 95 mil e 13 mil anos", explicou Bert Roberts, um dos autores do artigo que anuncia a descoberta, na Nature.ExtinçãoFlo, como foi apelidado o primeiro fóssil encontrado, é datado de 18 mil anos. Os cientistas acharam numa caverna o crânio e outras partes do esqueleto, que era de uma fêmea adulta de 1 metro de altura, com um cérebro equivalente a um quarto do cérebro humano atual.A espécie conviveu com o homem moderno por milhares de anos até ser extinta, cerca de 12 mil anos atrás. Entre as causas prováveis estão uma grande erupção vulcânica, associada ou não à redução da oferta de alimentos. Flo caçava elefantes pigmeus do tamanho de pôneis e ratos gigantes do porte de um cão labrador, que também desapareceram por volta daquela época.Mas, a julgar pelas lendas da região, os "hobbits de Flores" viveram até muito recentemente, tendo recebido a visita dos primeiros holandeses que aportaram seus navios na região, no século 16. No mínimo, o H.floresiensis conviveu com humanos naquela ilha há 45 mil anos.Adaptação e cérebroOs pesquisadores suspeitam que um ancestral do homem atual, o Homo erectus, tenha migrado para a ilha e se desenvolvido em uma espécie anã para se adaptar aos recursos limitados do local.O fenômeno, conhecido como "regra da ilha", é comum no mundo animal, mas nunca havia sido visto em humanos antes. "Nem mesmo em primatas", afirmou Peter Brown, co-autor do estudo.Uma das grandes surpresas da descoberta foi o tamanho do cérebro, pois contraria a tendência de o órgão crescer ao longo da evolução. O cérebro de um Homo erectus tinha um volume entre 900 e 1.120 centímetros cúbicos. O do Homo sapiens pode alcançar 1.400 centímetros cúbicos. Já o do Homo floresienses tem 380, o menor do gênero."Não temos muitos mais neurônios do que os chimpanzés, mas os usamos de forma diferente. O crucial é provavelmente a organização interna do cérebro ", explicou Brown.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2004 | 18h06

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