Equipe estudará baleias ?brasileiras? na Antártida

Pesquisadores brasileiros embarcam no dia 25 de janeiro rumo à Antártida para começar um estudo inédito sobre as baleias jubarte que freqüentam o litoral da Bahia. Fotos e dados de telemetria indicaram com mais segurança a região onde elas vivem nos meses de dezembro a junho - até migrar para as águas mornas dos trópicos, onde ficam de julho a novembro, tendo suas crias e acasalando.É na região das ilhas britânicas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul que o grupo do Instituto Baleia Jubarte (IBJ) vai passar 45 dias com estas Megaptera novaeangliae, conhecendo seus hábitos nas zonas de alimentação no Mar de Weddell. Com isso, será possível ter uma idéia mais abrangente da rotina anual das baleias, as rotas migratórias no Atlântico Sul e sua relação com as áreas de reprodução."Um dos objetivos é fornecer subsídios para futuras estratégias de conservação de baleias, inclusive para a eventual criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, proposta pelo Brasil", explica a bióloga e chefe da expedição, Márcia Engel, diretora do IBJ - instituição vinculada ao Ibama. Segundo ela, é fundamental conhecer os padrões de deslocamento e todos os locais de permanência destas jubartes, para estudar melhor o impacto da atividade humana sobre o ambiente em que vivem.Fotos e DNAOs pesquisadores farão na Antártida o que fazem na costa brasileira quando os cetáceos estão por aqui: fotos de identificação, coleta de amostras de pele e gravação de padrões vocais. As fotos de nadadeiras caudais são uma espécie de RG das jubartes - mostram pigmentações características - e vão completar o grande catálogo que o IBJ já reuniu desde sua fundação, em 1996. Com 2,5 mil indivíduos registrados e 300 novas fotos a cada ano, é um dos maiores catálogos do mundo.As amostras de pele serão usadas no catálogo de DNA, que começou a ser formado em 1997, e servirão também para estudos sobre eventuais contaminantes químicos nesta população de jubartes. Para coletar as amostras, os pesquisadores aproximam o barco, cuidadosamente, até que a baleia esteja ao alcance do disparo de uma balestra. A seta - presa a um longo fio - tem a ponta adaptada para "arranhar" o grosso couro do cetáceo, retendo uma pequena porção de tecido cutâneo. As análises serão feitas nos laboratórios da PUC de Porto Alegre.E, como estas baleias são notórias cantadoras - assim diziam os antigos marinheiros -, microfones subaquáticos são usados para a gravação dos padrões vocais dos grupos estudados. Isso também ajudará a confirmar a identidade das jubartes encontradas na Antártida.ConfirmaçãoO primeiro indício de que as baleias "brasileiras" passam a outra metade do ano no Mar de Weddell chegou ao IBJ, em Caravelas (BA), numa foto enviada por Haroldo Pallo Júnior, que acompanhava uma expedição de Amir Klink à Antártida em 2004. A jubarte fotografada por Pallo nas imediações da Geórgia do Sul foi reconhecida no catálogo do instituto. No mesmo ano, uma baleia com um chip de localização foi acompanhada por telemetria desde Abrolhos até aquela região antártica.A confirmação veio em fevereiro deste ano, quando o coordenador de projetos de pesquisa da British Antarctic Survey na Geórgia do Sul, Antony Martin, fotografou mais uma baleia que está no catálogo do IBJ. Martin, um especialista em ecossistemas antárticos, esteve em julho em Caravelas para três dias de "baleiada" com pesquisadores do IBJ na costa baiana e propôs uma cooperação entre as duas instituições. A primeira ajuda será na logística da expedição brasileira.A equipe que vai à Antártica em janeiro terá sete pesquisadores, segundo Márcia Engel. Eles partirão de Ushuaia, na Patagônia, no Kotic II, veleiro de aço de 19 metros do francês Oleg Bely, velejador que já fez mais de dez expedições à Geórgia do Sul. Os R$ 200 mil necessários à missão estão sendo bancados pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), que desde 2004 financia projetos do IBJ.  leia também  Protegidas, jubartes dão show no mar da Bahia  

Agencia Estado,

05 de setembro de 2005 | 16h15

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