Espanha tenta conter chegada de óleo derramado à sua costa

As autoridades espanholas, que já iniciaram ações judiciais para reclamar compensação aos prejuízos causados pelo naufrágio do petroleiro Prestige, se enfrentavam hoje com a possibilidade de que os ventos levassem à costa da Galícia, norte do país, uma enorme capa de óleo derramado do navio.A embarcação de 26 anos se partiu na terça-feira e afundou a 250 quilômetros da costa galega, com 65 mil toneladas de óleo combustível, o dobro do volume derramado no desastre do Exxon Valdez, em 1989. Até agora, 12 mil toneladas de óleo do Prestige foram derramados.As previsões do tempo indicavam hoje que ventos de oeste empurrariam a enorme maré negra até a costa espanhola, jáatingida nos primeiros dias do acidente, o que poderia agravarainda mais a catástrofe. O problema fez aumentar a pressão sobreas autoridades regionais, que se apressaram em colocar 28quilômetros de barreiras infláveis nas desembocaduras dos riosda região.O ministro do Meio Ambiente, Jaume Matas, comunicou que 295quilômetros da região costeira foram contaminados, cerca de 90praias, numa superfície total de 1,5 milhão de metros quadradosentre La Coruña e a área de Finisterre. Os prejuízos iniciaissão de US$ 42 milhões.Enquanto aviões de reconhecimento monitoravam a nova mancha de combustível, organizações ambientalistas demonstravam temor de que o Prestige se transforme numa bomba-relógio no oceano,ameaçando as costas da Espanha e de Portugal. Alguns especialistas, porém, expressaram otimismo quanto à hipótese deo óleo que ainda está no navio endurecer e permanecer no fundodo mar, apesar do novo vazamento.Hoje, também a França manifestou temor de que a mancha alcance suas praias mais ao sul, segundo manifestou o secretário de Transportes e do Mar, Dominique Busserau. "Existe esse risco,mas estaremos preparados", disse. A mancha está a cerca de 700quilômetros do sudoeste francês.Também hoje, grupos de voluntários orientados por ecologistas transportaram aves marinhas cobertas de óleo a um centro deresgate em La Coruña. Centenas de oficiais do exército e damarinha se juntaram na limpeza das praias e no salvamento deanimais.A tragédia penalizou especialmente os pescadores de todo o norte do país. O governo proibiu a pesca numa área de mais de cem quilômetros da costa durante ao menos um mês, o que deixa temporariamente sem trabalho cerca de 4 mil pescadores e outras28 mil pessoas que operam em funções paralelas à pesca.O Prestige carregava 77 mil toneladas de óleo e uma avaria foinotada na quarta-feira da semana passada, provocando o primeirovazamento. O navio, que pertence à empresa grega Mare ShippingInc., cumpria uma rota que ia de Riga a Cingapura, com passagempelo Estreito de Gibraltar.

Agencia Estado,

20 de novembro de 2002 | 19h56

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