Especialistas apóiam novo Parque Nacional de Juruena

Está em fase de consulta popular, até o próximo dia 18 de setembro, o novo Parque Nacional de Juruena, com 3 milhões de hectares, na divisa do Amazonas com o Mato Grosso. A criação do parque é apoiada por pesquisadores e ambientalistas, envolvidos na definição técnica das áreas prioritárias para a conservação da Amazônia e reunidos em Rio Branco, no Acre.O novo parque preservaria serras de até 500 metros de altitude, nascentes importantes - como as do rio Juruena e dos formadores do rio Tapajós - e incluiria as florestas secas do Mato Grosso, que ficam na transição entre a Amazônia e os cerrados do Centro-Oeste, e ainda não estão incluídas em nenhum unidade de conservação de proteção integral."É uma área de grande importância biológica, onde provavelmente existem muitos endemismos (espécies exclusivas), e ainda bastante preservada, embora esteja localizada no meio do Arco do Desflorestamento", diz Rosa Lemos de Sá, da entidade ambientalista WWF-Brasil. O Arco do Desflorestamento é a enorme faixa de fronteira agrícola e intensa exploração madeireira, que se estende da divisa entre Pará e Maranhão até Rondônia e Acre, passando pelo norte do Mato Grosso e Tocantins e sul do Amazonas.DesmatamentoA criação de um parque nacional nesta área preservaria ecossistemas seriamente ameaçados pelo avanço do desmatamento. "Toda a divisa leste do parque ainda encosta nas terras indígenas Munduruku, Kayabi e Saí-Cinza, contornando a Reserva Ecológica Estadual do Apiacás, além de conter parte de quatro áreas definidas como de extrema importância biológica: as regiões dos rios Juruena, Roosvelt, Teles Pires e o oeste de Apiacás, o que lhes confere um alto grau de conectividade", afirma Leandro Valle Ferreira, do Museu Goeldi. A conectividade entre áreas protegidas, vale lembrar, é importante para a circulação de espécies, manutenção da biodiversidade e diversidade genética. "Além disso, o parque funcionaria como uma barreira para o avanço do desmatamento decorrente do asfaltamento da BR-230, a Transamazônica, e da hidrovia Teles Pires, atualmente inviabilizada pela Terra Indígena Kayabi", acrescenta Ferreira.O pesquisador fez uma avaliação técnica das vantagens do Parque Nacional do Juruena, com base na Ecologia de Paisagens e o estudo deve subsidiar as ações do WWF, em prol da criação do parque. "Vamos apoiar sua criação e sugerir que seja incluído dentro do projeto Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA)", diz Rosa.O ARPA pretende assegurar a proteção de mais de 12% do território da Amazônia até 2012, contando com US$ 80 milhões do Fundo Ambiental Global (GEF) até 2006 e o compromisso - assinado durante a Rio+10 - de outros US$140 milhões até 2012.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2002 | 18h52

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