Especialistas discutem recuperação de mata ciliar

Obrigatórias pela lei e essenciais para garantir a quantidade e a qualidade das águas dos rios, as matas ciliares de São Paulo levarão 200 anos para serem recompostas, caso se mantenha o ritmo atual de reflorestamento e produção de mudas no Estado. Mesmo que a capacidade de produção de 13 milhões de mudas por ano dobre, levaria cem anos para que a proteção verde dos rios paulistas chegasse ao mínimo estipulado por lei.Encontrar maneiras de encurtar esse prazo e garantir a qualidade dessas matas é o objetivo do workshop Mata Ciliar, realizado hoje, na Secretaria Estadual do Meio Ambiente, em São Paulo. Especialistas do governo e acadêmicos discutiram questões como tecnologias, monitoramento e estratégias para a obtenção da adesão de proprietários rurais, para que o 1,3 milhão hectares de matas ciliares que faltam sejam restauradas.A recuperação dessas faixas de matas de 30 metros em cada margem dos rios é considera prioridade do Programa de Repovoamento Vegetal do governo estadual e pode se converter em uma oportunidade de pesquisa, negócios e empregos no Estado. ?Precisaremos de mais viveiros e melhores técnicas de manejo e de produção de sementes e mudas?, diz Luiz Mauro Barbosa, da Coordenadoria de Informações Técnicas, Documentação e Pesquisa Ambiental (CINP), da Secretaria do Meio Ambiente.Segundo Barbosa, o principal entrave à recuperação das matas ciliares atualmente é o custo, entre R$ 1,5 mil a R$ 4 mil o hectare. A principal aposta da Secretaria para a obtenção desses recursos são os projetos de seqüestro de carbono, ou Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), que deverão ser implantados com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto. ?Chegamos a esse potencial de reflorestamento de matas ciliares, que corresponde a 6% do território do Estado, a partir de dados georrefenciados e acreditamos que podemos acelerar o processo de recuperação, através de incentivos aos agricultores e acordos de ajustamento de conduta para empresas que possuem passivo ambiental?, explica.Além do MDL, pelo qual empresas estão financiando o reflorestamento em troca de créditos de emissão de carbono, Barbosa diz que existem outros programas de financiamento, como os da Secretaria de Agricultura e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), voltados para a qualidade das águas.BiodiversidadeAlém da quantidade de matas, a eficácia dos projetos de reflorestamento com espécies nativas também preocupa os técnicos. ?Realizamos uma pesquisa com 98 áreas (aproximadamente 2,5 mil hectares) recuperadas nos últimos 15 anos e verificamos um rápido declínio dessas matas, devido à baixa diversidade de espécies?, diz o coordenador da CINP. ?Para se ter uma idéia, em um único hectare de floresta desmatada, seja qual for o bioma, perde-se no mínimo 100 espécies arbóreas diferentes, enquanto em um reflorestamento costuma-se plantar somente 30 espécies?.Por conta disso, novas regras foram estabelecidas pelo governo para garantir um maior número de espécies, conforme o tamanho da área a ser reflorestada. A exigência chega a 80 espécies para projetos de mais de 50 hectares, das quais pelo menos 15 devem ser espécies ameaçadas de extinção. ?Com as regras antigas, um proprietário poderia ser condenado a reflorestar uma área dez vezes maior do que a que derrubou e não termos os benefícios esperados, pois a pouca diversidade dessa mata faria com que tivesse um ciclo de vida de apenas 15 a 20 anos?.

Agencia Estado,

03 de julho de 2002 | 16h08

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