Especialistas propõem soluções para reurbanização da região do Pinheiros

A procura de uma convivência hamoniosa entre a cidade e suas águas unirá, na próxima semana, especialistas brasileiros e holandeses, em São Paulo, no workshop Rio Urbanos, que acontecerá entre 17 e 24 março, na Faculdade de Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). O evento, que contará também com uma série de palestras, terá como centro de discussões possibilidades de intervenção urbanística na região do Rio Pinheiros, na capital paulista.?O histórico de qualquer cidade tem sempre uma relação com a água, seja um porto ou uma pequena nascente. Depois da urbanização, porém, as águas nunca ficam em seu estado natural, pois são drenadas, aterradas ou canalizadas, criando um espaço transformado?, diz o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, um dos consultores do evento, que faz parte da programação da mostra ?Holanda Hoje - arte, design, urbanismo e responsabilidade social?, promovido pelo Consulado Geral dos Países Baixos. O projeto visa fomentar o intercâmbio entre os dois países e marca a visita ao Brasil da monarca holandesa, a Rainha Beatrix.A escolha do Pinheiros para o workshop, segundo o arquiteto Abílio Guerra, da comissão organizadora, foi motivada por sua grande diversidade, com a presença de residências, favelas, distritos industriais e grandes instalações como o Centro de Abastecimento Atacadista de São Paulo (Ceagesp), o Parque Villa-Lobos, o Campus da USP, parte do sistema de transporte ferroviário ca CPTM, além do saturado sistema viário que atravessa a cidade. ?É uma região onde a universidade e o poder público precisam entender a dinâmica e interferir sobre ela, caso contrário, o mercado se encarregará de fazer?, diz.A região onde serão propostas intervenções engloba as avenidas marginais e entorno, desde a Vila Leopoldina ao norte, onde está o Cebolão, e até o Jockey Club ao sul, totalizando uma área aproximada de 15 mil m2. ?E uma área em transformação, com espaços importantes, como o Ceagesp, que deve ser transferido da região, e vários galpões abandonados. No entanto, há o risco de se seguir um padrão de ocupação desastroso, como na avenida Luiz Carlos Berrini, que foi totalmente tomada por torres instaladas em terrenos pequenos, sem preocupação com permeabilização, espaços públicos ou local de convivência para os trabalhadores. A cidade tem que ser pensada para a maior parte da população. Quando os edifício passam a ser o único atrativo do local, é porque estão sendo mal usados e a cidade está negligenciada?, opina Guerra. Para o arquiteto, porém, para se conseguir uma cidade voltada para a comunidade, é preciso partir do cenário existente e o Pinheiros, que hoje é um grande canal, deve ser visto como uma oportunidade de intervenção que beneficie a população, principalmente na área de transportes, com ferrovia e hidrovia. ?As áreas de rios e canais, por serem inundáveis, são tradicionalmente abandonadas nas cidades, mas podem surpreender. A Holanda é um exemplo desse processo e historicamente tem colaborado com o Brasil em intervenções hídricas?, diz Paulo Mendes da Rocha. Segundo o arquiteto Milton Braga, mesmo canalizado, o rio ainda traz uma idéia de natureza para a cidade. ?Não dá para recuperá-lo, fazendo-o voltar ao que era, embora tenha uma importância paisagística que precisa ser melhor aproveitada?.

Agencia Estado,

12 de março de 2003 | 16h14

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