Especialistas revisam agenda de conservação da Amazônia

A criação de uma nova unidade de conservação de proteção integral no Acre e cinco outras nas bacias dos rios Purus e Juruá, no Amazonas, foram as principais das 62 ações recomendadas por 100 pesquisadores, ambientalistas, lideranças indígenas e técnicos governamentais, reunidos durante esta semana, em Rio Branco, no Acre, para rever as prioridades estabelecidas há 3 anos, num seminário mais abrangente, realizado em Macapá, no Amapá. As novas unidades protegeriam as florestas da margem direita do rio Javari e a bacia do rio Jutaí, onde vivem seis grupos de índios isolados, e fariam a conexão com terras indígenas nos rios Tapuapá e Cuniná, onde vivem os índios Deni e Hi-Merinã, todos no Amazonas. Também protegeriam dois ecossistemas ainda não representados em unidades de conservação: os campos de Humaitá e as campinaranas da divisa do Amazonas com o Acre, no extremo oeste do Brasil. No Acre, a nova área proposta seria um prolongamento, ao norte, do Parque Nacional da Serra do Divisor, onde vivem os índios Nukini.Além disso, os especialistas propuseram a criação de três novas unidades de conservação de uso sustentável (reservas extrativistas ou reservas de desenvolvimento sustentável) no sudoeste do Amazonas e seis no Acre. Todas estas áreas consideradas prioritárias para a conservação da biodiversidade serão devidamente descritas e terão sua criação justificada, em documentos a serem encaminhados ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), já na próxima semana. ?As sugestões devem ser incorporadas aos programas governamentais existentes de criação de novas unidades?, explica Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA), uma das coordenadoras do seminário.O ISA ainda encaminhará aos institutos de pesquisa da Amazônia as observações relativas a lacunas de conhecimento científico, em diversas áreas desta ecorregião. ?A expectativa é de despertar o interesse de pesquisadores da região para iniciar novas pesquisas nas áreas onde não há informação?, continua Adriana. As outras recomendações resultantes do seminário serão encaminhadas aos órgãos responsáveis pela regularização fundiária ? considerada um grave entrave à implementação de várias unidades de conservação, sobretudo no Acre ? e aos órgãos ambientais governamentais. No Amazonas, o gasoduto Urucu-Porto Velho foi apontado como um grave problema para várias áreas a serem protegidas, a ponto dos especialistas recomendarem a suspensão da licença prévia concedida pelo Ibama. Existem pelo menos 23 recomendações técnicas, que constam do laudo ambiental entregue ao Ibama pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que deveriam ser consideradas.Os organizadores da reunião de Rio Branco ressaltaram, também, a participação inédita, durante todo o processo, de técnicos do Incra, Funai e Ipaam. Sua presença, num seminário deste tipo, evidencia a tendência de incorporação de preocupações ambientais em várias esferas de governo, além da aproximação entre diversos órgãos de governo, antes estanques, e destes com organizações não-governamentais e pesquisadores.

Agencia Estado,

13 de setembro de 2002 | 12h35

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