Tuomas Koivurinne
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Espécie da família do Tiranossauro praticava canibalismo, diz estudo

Forma dos ferimentos existentes em exemplar de Daspletossauro indica que eles foram feitos por outro réptil da mesma espécie

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2015 | 17h58

Os Daspletossauros - gênero de répteis carnívoros da família dos Tiranossauros - lutavam entre si e chegavam a praticar o canibalismo, de acordo com um novo estudo. Uma dupla de cientistas fez a descoberta ao estudar o formato de ferimentos encontrados no crânio de um espécime do dinossauro encontrado em Alberta, no Canadá. O trabalho, realizado por David Hone, da Universidade Queen Mary de Londres (Reino Unido), e Darren Tanke, do Museu de Paleontologia Royal Tyrrel, do Canadá, foi publicado nesta quinta-feira, 9, na revista PeerJ.

O estudo mostra que o Daspletossauro sofreu diversos ferimentos no crânio ao longo da vida - e pelo menos alguns deles foram feitos por outro dinossauro da mesma espécie. Além da evidência de combate entre dois répteis carnívoros, os cientistas afirmam que há indícios de que um deles tenha se alimentado dos restos mortais do outro.

Ligeiramente menor que seu "primo" mais conhecido, o Tiranossauro, o Daspletossauro - palavra que significa "lagarto horroroso" - viveu há cerca de 75 milhões de anos, no período Cretáceo,no Canadá. O  espécime em que o estudo se baseou ainda não era totalmente maduro: ele tinha menos de 6 metros de comprimento e cerca de 500 quilos, quando foi morto.

Nem todos dos diversos ferimentos encontrados pelos cientistas no crânio podem ser atribuídos a mordidas, de acordo com o estudo. Mas vários deles têm o formato de dentes de tiranossaurídeos. Uma das mordidas na parte posterior da cabeça arrancou uma parte do crânio e deixou, no osso, um buraco circular com o formato de uma dentada. Algumas alterações na superfície do osso indicam que houve um princípio de recuperação, o que significa que o animal não morreu imediatamente. Outros sinais mostram que, assim que o espécime começou a apodrecer, um grande Tiranossauro - possivelmente da mesma espécie -, arrancou pedaços do animal morto e comeu pelo menos uma parte dele.

"Esse animal claramente teve uma vida violenta, sofrendo numerosos ferimentos na cabeça, alguns dos quais devem ter sido terríveis. O principal candidato a ter feito isso é algum outro membro da mesma espécie - e isso sugere sérias lutas entre esses animais ao longo de suas vidas", disse Hone. O combate entre grandes dinossauros carnívoros já é conhecido pelos cientistas e há outras evidências de canibalismo em vários grupos, incluindo a família dos Tiranossauros. No entanto, o novo estudo mostra o primeiro registro de ferimentos feitos antes e depois da morte de um mesmo indivíduo. 

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