Espessura de gelo na Antártida é maior do que cientistas pensavam

Camada de gelo abaixo do nível do mar alcança entre 1,4m e 5,5 m em média e pode chegar a 16m; pesquisa utilizou robô submarino

EFE

24 Novembro 2014 | 19h31

A camada de gelo da Antártida é mais grossa do que os cientistas pensavam até agora, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira, 24, na revista Nature Geoscience. A pesquisa utilizou um robô submarino autônomo.

O aparato, conhecido como SeaBED, mergulhou nas águas de uma das regiões mais frias do planeta entre 2010 e 2012 para elaborar um mapa de alta resolução em três dimensões do gelo da Antártida.

Graças a um sonar instalado no equipamento submarino, cientistas australianos, norte-americanos e britânicos responsáveis pelo estudo puderam analisar nas profundezas a parte oculta dos blocos de gelo que cobrem cerca de 20 milhões de quilômetros quadrados no hemisfério sul.

Até agora, os cientistas tinham estudado a região por meio de satélites, embora esse método tenha mostrado limitações para estabelecer a espessura da capa de gelo.

O estudo mostra que o gelo abaixo do nível do mar alcança entre 1,4 e 5,5 metros em média, enquanto que nas zonas mais profundas chega a 16 metros.

As pesquisas existentes até agora, algumas das quais também tinham utilizado equipes submarinas - ainda que de alcance mais limitado - apontavam que a camada de gelo da Antártida não superava um metro em média.

"Muitos esforços já foram dedicados para medir o gelo do Ártico e nós só estamos começando a arranhar a superfície da Antártida, especialmente no que se refere à espessura do gelo", disse Jeremy Wilkinson, do Centro de Estudos Antárticos britânico.

O cientistas disse que seu objetivo é entender como a região está evoluindo e como "essas mudanças se integram" no clima e no ecossistema.

Diante das dificuldades para medir com precisão a espessura da capa de gelo, Wilkinson destacou que o uso combinado de submarinos autônomos e satélites pode ser o mais efetivo.

"Podemos pegar os dados que estes submarinos estão nos dando e desenvolver algoritmos que os satélites possam utilizar" para melhorar a precisão, disse o cientistas. 

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