Esquema de desmatamento envolvia 600 madeireiras

A quadrilha desbaratada pela Operação Curupira era formada por servidores públicos, empresários do ramo madeireiro, contadores e despachantes, e envolvia cerca de 600 madeireiras, segundo a Polícia Federal.Os servidores acusados vendiam guias em branco de Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs), por cerca de R$ 1 mil, para despachantes que criavam empresas-fantasmas.Foram descobertas 431 madeireiras que declaravam endereços falsos, em cemitérios e postos de combustíveis. Os servidores denunciados recebiam propina - de R$ 3 mil a R$ 5 mil - para vistoriar as empresas e "legalizá-las".As ATPFs são documentos que comprovam a origem legal da madeira, ou seja, se ela vem de um desmate autorizado. O documento é expedido pelo Ibama para as empresas em situação regular, que possuem planos de manejo florestal.Fonte de rendaNo esquema da quadrilha, os despachantes funcionavam como intermediários, revendendo as ATPFs para empresários por R$ 2 mil. O documento servia para encobrir toras retiradas ilegalmente de fazendas e terras indígenas.Segundo a PF, a principal fonte de renda da quadrilha eram as ATPFs. Desviados por servidores corruptos, os documentos eram vendidos para madeireiros - que legalizavam as toras de madeira extraídas de terras da União e de reservas indígenas.Dos 901,4 mil quilômetros quadrados do território de MT, 162,2 mil quilômetros quadrados (18%) pertencem à Amazônia Legal.IbamaO presidente do Ibama, Marcus Barros, nomeou duas comissões para investigar as irregularidades no órgão em Mato Grosso. O interventor do Ibama, Elielson Ayres de Souza, disse que as comissões vão verificar a conduta de cada servidor."As comissões são disciplinares e têm caráter sigiloso", frisou o interventor. Elielson disse também que há outras fraudes detectadas. "Estamos reunindo documentação para remeter ao Ministério Público, Polícia Federal e posteriormente ao Poder Judiciário."FundaçãoO Ministério Público Federal entrou com uma ação contra a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema). O órgão é acusado de burlar a lei para aumentar áreas passíveis de desmatamento.O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, exonerou o secretário especial da Fema, Moacir Pires, preso na Operação Curupira. Foi nomeado em seu lugar o promotor de Justiça licenciado, Marcos Henrique Machado.Tanto a Fema como o Ibama suspenderam por 30 dias as licenças ambientais. Projetos de manejo foram cancelados até que seja concluída uma auditoria nos dois órgãos.   estatísticas sobre florestas

Agencia Estado,

03 de junho de 2005 | 16h37

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