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Estação espacial caiu no Oceano Pacífico, diz governo da China

Lançada em 2011 e fora de controle desde 2016, a estação chinesa Tiangong-1, de 8,5 toneladas, tinha queda prevista para o domingo de Páscoa, mas não era possível prever o local; segundo autoridades, módulo foi desintegrado na reentrada na atmosfera

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2018 | 23h12

A estação espacial chinesa Tiangong-1 caiu no sul do Oceano Pacífico às 21h16 deste domingo, 1, de acordo com comunicado do governo da China. Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, a nave foi praticamente toda consumida pelas chamas ao entrar na atmosfera da Terra. A informação foi confirmada por um órgão do Comando Estratégico do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Embora a data da reentrada da atmosfera já houvesse sido prevista com relativa precisão, os especialistas tiveram grande dificuldade para prever o local onde ela ocorreria. Nos últimos momentos antes da queda da estação, a Agência Espacial Chinesa chegou a sugerir, equivocadamente, que o artefato cairia no Oceano Atlântico, próximo ao litoral de São Paulo. 

Utilizada como um laboratório de pesquisas no espaço, a estação de cerca de 8,5 toneladas e 12 metros de comprimento - aproximadamente o tamanho de um ônibus - estava completamente fora de controle desde 2016, quando a Agência Espacial Chinesa perdeu a comunicação com ela.

Antes de cair, a estação viajava a cerca de 26 mil quilôemtros por hora, completando uma volta em torno da Terra a cada uma hora e meia. Originalmente, sua altitude média era de 350 quilômetros, mas a órbita decaía lentamente desde a perda de comunicação. Em janeiro deste ano, ela já orbitava a 280 quilômetros e, horas antes da queda, estava a 130 quilômetros do nível do mar.

A Tiangong-1, cujo nome significa “Palácio Celestial” em mandarim, foi lançada em 2011 com o objetivo de aperfeiçoar tecnologias de acoplamento de naves espaciais e de realizar experimentos orbitais. Com seu lançamento, a China se tornou o terceiro país a ter uma estação espacial em órbita, depois dos Estados Unidos e da Rússia.

O lançamento da estação fazia parte de um ambicioso plano do governo da China para transformar o país em uma superpotência espacial. A Tiangong-1 era descrita pelas autoridades chinesas como "um poderoso símbolo político" do crescente poder do País.

Em seus momentos de glória, a estação serviu para testar diversas tecnologias de encaixe - ou atracação - com outras espaçonaves e foi utilizada para diversos experimentos científicos. Por duas vezes, a estação recebeu tripulantes, incluindo a primeira astronauta mulher da China, Liu Yang, em 2012. A segunda missão, em 2013, também recebeu uma astronauta, Wang Yaping. 

Depois de completadas as missões, o módulo chinês deveria ter sido derrubado de forma segura em 2013, mas continuou em operação até o ano de 2016. Naquele mesmo ano, após a perda de controle da Tiangong-1, os especialistas chineses previram que a estação provavelmente queimaria na atmosfera no fim de 2017. 

Ainda em 2016, porém, o governo da China admitiu ter perdido o controle e informou que não havia mais como conter sua reentrada na atmosfera. Logo depois, a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) previu que a reentrada na atmosfera deveria ocorrer entre março e abril de 2018. No dia 20 de março deste ano, a ESA confirmou que ela cairia na Terra, em local incerto, entre os dias 27 de março e 8 de abril. 

Segundo a ESA, era impossível determinar com exatidão a data da reentrada da estação na atmosfera por causa de inúmeras incertezas, sendo a principal delas o efeito do atrito atmosférico na trajetória do módulo em suas últimas órbitas.

Também havia dúvidas sobre a possibilidade da Tiangong-1 sobreviver à reentrada, porque a China nunca divulgou detalhes do projeto e dos materiais utilizados para fabricar a estação. Temia-se que ela contivesse tanques de titânio muito robustos - capazes de sobreviver ao calor incrível da reentrada - cheios de hidrazina, uma substância tóxica utilizada como propelente de foguetes.

Especialistas da Aerospace Corporation, uma empresa de consultoria para missões espaciais financiada pela Força Aérea dos Estados Unidos, previam que, durante a reentrada na atmosfera, a Tiangong-1 ficaria em chamas, por causa do atrito com a atmosfera, e seus pedaços se espalhariam por extensões de até 2 mil quilômetros a partir do ponto da reentrada.

Embora seja comum a queda de detritos espaciais na superfície do planeta, a Tiangong-1 é um dos maiores objetos já submetidos a uma reentrada descontrolada na atmosfera. Normalmente, nas entradas controladas, a espaçonave ou satélite fora de operação são  direcionados aos oceanos - um procedimento padrão para reduzir os riscos na Terra.

Estações em queda livre. O maior objeto feito pelo homem a cair na Terra foi a Estação Espacial MIR, da Rússia, que tinha massa de 120 toneladas. Sua reentrada ocorreu em 23 de março de 2001. Depois de 15 anos em órbita, a Rússia decidiu destruí-la por não ter recursos para manter a operação. Foi preciso investir US$ 27 milhões para a operação de reingresso. Os pedaços que restaram da estação caíram em chamas no Oceano Pacífico, a uma distância de 2 mil quilômetros da Austrália.

Antes disso, o Skylab, a primeira estação espacial americana, chegou a causar pânico em todo o mundo, no fim da década de 1970, quando foi anunciado que o módulo estava fora de controle e cairia em local imprevisível. A estação de 91 toneladas, lançada em 1973, despencou de uma altitude de mais de 400 quilômetros em 1979, mas acabou se desintegrando na reentrada, com alguns detritos caindo sobre o Oceano Índico e partes remotas da Austrália.

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