Estados têm até abril para montar planos contra gripe aviária

Os 26 governos estaduais e mais o Distrito Federal têm até abril de 2006 para finalizar os seus planos estratégicos de saúde para enfrentar possíveis ocorrências de gripe aviária, segundo informou nesta quinta, à Comissão de Agricultura da Câmara, o ministro da Saúde, Saraiva Felipe. O ministro fez um balanço das primeiras ações do governo federal desde outubro, mas alertou que não basta "um bom plano nacional, se os Estados e municípios também não se prepararem"."Tenho consciência de que ainda há essa falha no plano brasileiro, por isso estou cobrando agilidade da minha equipe técnica e pedindo aos Estados e municípios que se organizem e indiquem responsáveis", afirmou.O ministro informou que até o próximo dia 31 de dezembro chegarão ao País cerca de 14 milhões de doses do medicamento Tamiflu, um antiviral que será utilizado no tratamento de eventuais contaminações humanas por aves infectadas com o vírus. Essa quantidade é o primeiro lote de um total de 91 milhões de doses que deverá formar o estoque estratégico pretendido pelo governo como forma de se preparar para enfrentar eventuais surtos da gripe no Brasil.O secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa, disse que se não ocorrerem casos da doença no Brasil antes do fim da validade do medicamento, o estoque não será desperdiçado. O remédio poderá ser usado na vacinação de prevenção à gripe comum. "O remédio pode imunizar os idosos, por exemplo, porque ele tem também essa utilidade", afirmou o técnico.Apesar de o ministério acreditar que todos os estados estarão preparados até abril, apenas quatro unidades da Federação - São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco - já estão avançados na elaboração dos seus planos de prevenção, segundo informou hoje o próprio ministro. "Admito que é preciso ampliar essa conscientização", disse Saraiva Felipe, acrescentando que para isso há pessoas trabalhando para aumentar a comunicação no País sobre a doença, as formas de contágio e seus riscos."Que há o risco de a doença entrar no Brasil, há, mas não há como prever hoje a extensão do problema, se e quando ele vai ocorrer", afirmou o ministro em resposta aos questionamentos dos deputados da comissão sobre o grau de vulnerabilidade brasileira à doença.Saraiva Felipe garantiu que o governo federal está atento aos riscos e reservou R$ 1 bilhão para serem aplicados no plano de prevenção até 2007. "Acredito que o que aconteceu em relação à febre aftosa no País nos propiciou ter mais recursos disponíveis, já que isso acendeu a luz vermelha no governo", disse o ministro, referindo-se aos recentes surtos de febre aftosa nos rebanhos do Mato Grosso do Sul e que fizeram vários países suspenderem a compra da carne brasileira.Apesar de não haver riscos à saúde humana, a aftosa provocou prejuízos grandes aos exportadores de carnes. Os cortes de recursos no Orçamento foram apontados como um dos motivos para o ressurgimento da aftosa.O ministro aproveitou para defender a criação de um fundo de indenização aos produtores brasileiros de frango para incentivá-los a comunicarem rapidamente qualquer ocorrência ou suspeita de gripe aviária nos animais. "Tendo a segurança de que serão indenizados haverá maior colaboração", disse.Segundo o ministério, já foram exterminados ou mortos pela gripe em todo o mundo cerca de 120 milhões de aves. Houve até agora 134 casos de pessoas contaminadas depois de terem contato com animais infectados, sendo 69 mortes. Todos os casos, no entanto, ocorreram no sudeste asiático.   leia mais sobre gripe aviária

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2005 | 21h50

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