Estátuas da Ilha da Páscoa podem ter orientação astronômica

Estudo fez 'uma reinterpretação arqueo-astronômica' das teorias sobre as antigas esculturas da ilha

Efe

07 de julho de 2008 | 15h40

As enigmáticas esculturas da ilha de Páscoa, os moais, podem estar orientados de forma consciente na direção de determinadas estrelas, mais importantes que o Sol para a civilização Rapa Nui, segundo o astrônomo espanhol Juan Antonio Belmonte. O pesquisador do Instituto de Astrofísica das Canárias fez, junto com o antropólogo da Universidade do Chile, Edmundo Edwards, "uma reinterpretação arqueo-astronômica" dos ahus - as plataformas cerimoniais sobre as quais se erguem os moais - para o que estudaram 30 desses locais. Foto: EfeAlguns dos Moais da ilha de Páscoa Ambos reinterpretaram teorias anteriores, especialmente do astrônomo norte-americano William Liller, para quem os ahus estavam orientados para os locais de nascer e pôr do Sol nos equinócios e no solstício de inverno.  Belmonte diz que há mais de uma centena de ahus na ilha, de forma que deveria ser feito um estudo estatístico detalhado para verificar se se orientavam em função da astronomia e da topografia, algo similar ao que, para sua surpresa, encontrou no Egito.  "Os egiptólogos diziam que os templos estavam orientados em direção ao Nilo e nós dizemos que os egípcios elegiam lugares com uma orientação astronômica sugestiva, que algumas vezes eram perpendiculares ao rio", explicou.  Na ilha de Páscoa poderia ter ocorrido algo parecido, mas é preciso "um estudo a fundo." Uma peculiaridade dos ahus é que a maioria deles está colocada de forma que as estátuas ficam de costas para o mar, o que, a princípio, sugere que a orientação dominante é topográfica.  Os moais "olhavam" para o povoado, do que se supõe que as estátuas eram grandes chefes mortos.  No entanto, os investigadores encontraram "conotações arqueo-astronômicas interessantes" nas estátuas situadas no interior da ilha, das quais uma está "claramente" orientada na direção de Plêiades e outras, na direção da constelação de Órion.  A idéia de que os ahus e seus moais estão orientados para as estrelas parte das investigações que sobre o local que fez o antropólogo Edmundo Edwards, que mora na ilha e está casado com uma neta do último soberano aborígine do local.  Edwards havia ouvido as "idéias antigas e a tremenda importância" que dão os anciãos de Páscoa para as estrelas e, sobretudo, para as Plêiades, que eles chamam de matariki ("pequenos olhinhos") e ao Cinturão de Órion, tautoru ("os três belos"), "mas ao Sol, não prestam muita atenção." Para os habitantes de Rapa Nui, as Plêiades indicavam o inicio do ano no mês de Anakena, quando saíam ao amanhecer, e marcavam em sua última visão da tarde da estação de Hora Nui, a melhor do ano, quando se abria a temporada de pesca e se realizavam rituais em honra dos antepassados frente aos ahus com seus moais, e estava proibida a guerra.  Órion também marcava o início do ano e o início das festas principais da ilha, as Paina, em torno da primeira lua do verão.  No extremo oriental da ilha, na afastada península de Pike, se encontra um lugar com uma pedra inscrita conhecida como "a pedra para observar as estrelas", e próxima a esta há outra, onde se representa um mapa estrelar.  Para Belmonte e Edwards, este mapa poderia ser uma representação bastante realista das Plêiades e a presença do azul em sua decoração sugere "uma conexão com a temporada de pesca", que vinha marcada pela posição dessas estrelas. Ambas as pedras estão precisamente no único lugar da ilha em que se pode ser as Plêiades nascerem e se pôr. Belmonte explica que os habitantes de Páscoa utilizavam as estrelas como guia para a navegação e para o controle do tempo, através da observação de suas posições em momentos chave do ano.  Para os investigadores, o solitário moai Ahu Uri a Urenga olhava para o nascer das Plêiades pouco antes do nascer do Sol no solstício de inverno, marcando o começo de um novo ano em Páscoa.  Além disso, os sete moais Ahu a Kivi, as únicas estátuas da ilha que olham para o mar, estão viradas para as estrelas de Órion bem quando estas desapareciam sobre o horizonte marinho, indicando também a chegada do novo ano com a aparição da nova lua no mês de Anakena.  Uma dificuldade para a investigação é que todos os moais foram derrubados durante as guerras civis que ocorreram na ilha durante o século XVIII, e só começaram a ser reinstalados a partir da década de 1950, sendo que a maioria permanece no chão.

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