Estrada-parque protege mata e mangues do Guarujá

O Rabo do Dragão, maior conjunto de remanescentes de Mata Atlântica, mangues e restinga do município do Guarujá, no litoral de São Paulo, agora tem mais chances de continuar preservado, com o início da implantação da estrada-parque da Serra do Guararu, cujo pórtico será inaugurado neste sábado, na rodovia Guarujá-Bertioga. A iniciativa é da Fundação SOS Mata Atlântica, com apoio da Sociedade dos Amigos de Iporanga (Sasip) e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).O trabalho começou há um ano, com um estudo socioambiental das comunidades tradicionais de caiçaras, áreas de ocupação, condomínios de luxo e estabelecimentos comerciais, existentes nos 4 mil hectares do Rabo do Dragão. Existem cerca de 1.150 moradores na área sendo as duas maiores comunidades as de Cachoeirinha, com 150 famílias e Prainha Branca, com 80 famílias mais uma freqüência razoável de surfistas e turistas de um dia. Nos condomínios de alto luxo das imediações, há outras mil residências, apenas de temporada e fins-de-semana. E estão instalados alguns bares, lanchonetes e marinas, sobretudo em área de mangue, fazendo a ligação com o Canal de Bertioga.?A fragilidade institucional destas ocupações é quase tão grande quanto a fragilidade ambiental do conjunto de ecossistemas?, resume Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica. Apenas 30% das moradias e estabelecimentos comerciais estão regularizados e há uma sobreposição de leis vigorando sobre a área, incluindo desde o tombamento da Serra do Mar pelo Condenphaat até o novo código ambiental municipal, que o Guarujá deve aprovar em breve, passando pelo Código Florestal, Parque da Serra do Mar e legislação federal de mangues e restingas. ?A estrada-parque nos permitirá integrar estas leis, definindo com o Estado as normas de gestão, com base em uma metodologia participativa?. Os ambientalistas contam, para tanto, com a colaboração estreita do Ministério Público da Comarca do Guarujá.Com a inauguração do pórtico, começa a implantação efetiva dos projetos de recuperação das margens e entorno da rodovia, valorização da cultura caiçara, coleta seletiva e reciclagem de lixo e restauração em pontos turísticos, como a capela de Nossa Senhora da Conceição, as ruínas da armação de baleias e do antigo forte, na Prainha Branca, e conservação de alguns sítios arqueológicos, com sambaquis. ?A idéia é sensibilizar os usuários da rodovia para preservar o pouco que ainda resta de Mata Atlântica ali, onde, apesar da proximidade com núcleos urbanos, ainda existem mamíferos como a preguiça e aves já raras, como os guarás e tiê-sangue?.A estrada-parque vai do km 8,5 até o km 22, onde fica a balsa, e o nível de participação dos moradores têm sido grande. A resistência vem de especuladores imobiliários, cujos planos são de lotear a área e construir até um cassino.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2002 | 14h35

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