Estudo aponta 515 milhões de casos de malária em 2002

Em 2002, o mundo teve 515 milhões de casos clínicos de malária causados pelo Plasmodium falciparum. Revelado por estudo publicado na edição desta quinta-feira da revista Nature, o número é 50% maior que os dados oficiais divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).Para recalcular os casos clínicos de malária no mundo, e perceber que metade deles é desconhecida, um grupo de pesquisadores liderados por Robert Snow, que participa de grupos de pesquisa na Inglaterra e no Quênia, desenvolveu uma nova abordagem empírica para o tratamento das informações. Eles misturam dados epidemiológicos, geográficos e demográficos para chegar ao novo mapa.Como na África o problema da malária é muito mais grave do que em outras partes do mundo, a OMS tem ações especiais para aquele continente. Nas outras áreas, como ocorre na América do Sul e no Brasil, por exemplo, a instituição mundial não tem políticas ativas de mapear a doença. Ela aceita dados dos próprios países. Segundo os autores do novo mapa, isso causa uma distorção ainda maior.Ao considerar apenas dados de fora da África, a diferença entre os números da OMS e os novos, obtidos pelo método de tratamento das informações da pesquisa da Nature, chega aos 200%. Enquanto no Brasil ela é da ordem de três vezes, no Paquistão os casos de malária estariam subestimados na ordem de mil vezes.O artigo "The global distribution of clinical episodes of Plasmodium falciparum malária" de R. Snow, do grupo de Saúde Pública do Quênia e da Universidade de Oxford, Carlos Guerra, da Universidade de Oxford, Abdisalan Noor, do grupo de Saúde Pública do Quênia, Hia Myint, da Faculdade de Medicina Tropical de Bangkok e Simon Hay, também da Universidade de Oxford e do grupo queniano de pesquisa, pode ser lido no site da Nature, em www.nature.com

Agencia Estado,

10 de março de 2005 | 15h51

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