Estudo apresenta medicamento que pode evitar contaminação por HIV

Quando analisados todos os pacientes, pesquisadores verificaram redução de 44% da infecção pela doença

Clarissa Thomé

23 Novembro 2010 | 11h06

Os resultados da pesquisa Iniciativa Profilaxia Pré-Exposição foram divulgados na manhã desta terça, 23, nos Estados Unidos. Trata-se da primeira pesquisa que mede a eficácia de um medicamento oral de uso diário para evitar a infecção pelo HIV. O estudo envolveu 2.500 pessoas em cinco países - 350 delas no Brasil, recrutadas pela USP, Fiocruz e UFRJ.

Quando analisados todos os pacientes, verificou-se redução de 44% da contaminação por HIV. Mas quando os pesquisadores analisaram os exames de sangue que identificam o medicamento no organismo por 14 dias - ou seja, daqueles que comprovadamente tomaram o remédio, e não apenas se inscreveram na pesquisa -, essa redução atingiu 92%.

Ao restringir ainda mais a análise, aos pacientes que relataram terem feito sexo anal desprotegido, a diminuição foi de 94,9%. Por três anos, metade dos voluntários recebeu um comprimido diário que combina os antirretrovirais tenofovir e emtricitabina (este ainda sem registro no Brasil).

Os voluntários são homens que fazem sexo com homens, com comportamento de risco (parceiros múltiplos e sem preservativos). "Esse resultado é um divisor de águas na epidemia de HIV. É o mais eficaz tratamento já descrito se usado dessa forma", afirmou o coordenador do Projeto Praça Onze, da UFRJ, Mauro Schechter.

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