Estudo atribui valor ao Morro do Diabo

Uma pesquisa realizada com moradores da cidade de São Paulo mostrou que os paulistanos estariam dispostos a pagar R$ 7 milhões por ano para conservar o Parque Estadual do Morro do Diabo, no Pontal do Paranapanema. Coordenado pelas pesquisadoras Cristina Adams e Cristina Ebersbach Aznar, o estudo foi divulgado sexta-feira, na Secretaria Estadual do Meio Ambiente, e teve o objetivo de medir a valoração econômica de uma unidade de conservação.Pela pesquisa, 35% dos entrevistados declaram-se dispostos a pagar uma determinada quantia por mês, seja na conta de água, de luz ou como colaboração a uma organização não-governamental (ong), para preservar o Parque Estadual. A quantidade média de contribuição por habitante, conforme o resultado do trabalho, seria de R$ 0,19. O orçamento real do parque é de 4% do total sugerido pelos entrevistados. ?Embora a metodologia empregada deixe claro às pessoas que elas não vão pagar realmente o valor declarado, é capaz de dar uma idéia para o gestor público da relação entre o que se gasta com uma área de preservação e o que a população acha que ela vale?, disse John Reid, presidente da Conservation Stragey Fund (CSF), entidade financiadora do projeto. Atuando no Brasil desde 2000, a ong norte-americana trabalha na capacitação de gestores para aplicar teorias econômicas em trabalhos ambientais. ?As ações de conservação têm mais chances de sucesso quando levam os fatores econômicos em conta?, acredita.O trabalho, que contou também com o apoio da Faculdade de Educação Ambiental do Senac e do Instituto Florestal, responsável pela gestão das unidades de conservação estaduais, procurou medir o valor econômico atribuído à unidade de conservação para parâmetros como uso direto (como visitação, por exemplo), uso indireto (benefícios ambientais, como preservação dos mananciais ou estabilidade climática), opções futuras (benefícios de longo prazo, como a diversidade genética) e o valor existencial (aquele dissociado do uso e ligado apenas a questões culturais ou éticas, como a beleza cênica ou a proteção ás baleias).Segundo Cristina Adams, esses valores são tão importantes para a população que, apesar de 91% dos entrevistados nunca terem ouvido falar do Parque Estadual do Morro do Diabo (PEMD), 96% consideraram que deveria ser preservado. ?O valor de pagamento atingido pela pesquisa é considerado baixo pelos economistas, mas foi influenciado pela crise econômica e pelos votos de protesto, de pessoas que disseram que não dariam nada, mesmo hipoteticamente, para um governo que já cobra muito imposto, como a CPMF, sem dar retorno?, disse a pesquisadora.Uma análise do perfil do indivíduo que está disposto a pagar os valores mais altos pela preservação do parque mostra que ele tem entre 16 e 24 anos, tem segundo grau, é estudante e a renda familiar é de mais de 10 salários mínimos. A pesquisa mostrou ainda que 53% dos paulistanos têm interesse pessoal em assuntos relacionados a meio ambiente, 79% acham que a preservação ambiental é muito importante e 64% acreditam que o governo não se preocupa com o meio ambiente no Brasil. Para 33% dos entrevistados, o maior responsável pela conservação deveria ser o governo federal, mas 37% acham que é a população em geral. ?Esses dados revelam um grande potencial para políticas públicas ambientais que envolvam a população e mostram uma oportunidade de aproveitamento de voluntariado na área ambiental?, analisa a pesquisadora.Segundo Cristina Adams, o Parque Estadual do Morro do Diabo foi escolhido pela sua relevância ambiental e pelos problemas em seu entorno, na região do Pontal do Paranapanema. ?Este parque é o maior remanescente da floresta estacional, um dos ecossistemas mais ameaçados da Mata Atlântica, no interior do Estado de São Paulo. Atualmente restam menos de 2% das florestas estacionais originais e 85% estão no Pontal, sendo a maior parte no Morro do Diabo?, diz.

Agencia Estado,

25 de agosto de 2003 | 09h31

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.