Estudo busca melhor óvulo para fertlização

Pesquisadores brasileiros e estrangeiros anunciaram nesta sexta-feira o início de um trabalho cujos resultados podem significar um passo a mais na segurança da fertilização assistida. A proposta é comparar dois métodos de diagnóstico da saúde do óvulo.Um deles, chamado spindel view, avalia a morfologia dos cromossomos. Se há suspeita de algum problema, o óvulo não é fertilizado. A segunda técnica é a biópsia, que faz a análise diretamente na célula."Não há como dizer, atualmente, qual tem melhor indicação. É por isso que propusemos o estudo", afirma o médico especialista em reprodução humana Roger Abdelmassih, diretor da clínica que leva seu nome. O spindel view, usado atualmente na clínica de Abdelmassih, não traz riscos de dano ao óvulo, mas, à primeira vista, pode parecer mais impreciso do que a biópsia."A análise morfológica dos cromossomos permite que o especialista conclua se há ou não uma alteração. Na biópsia, isso é mais direto, mas, por sua vez, há um risco maior de dano ao óvulo", afirma o especialista em genética e embriologia Peter Nagy, que trabalha na clínica de Abdelmassih. "Mesmo assim, não podemos dizer que uma é superior à outra."O estudo será feito em conjunto com o especialista Dmitri Dozortsev, de Detroit (EUA), que assume duas linhas de pesquisa na Clinica de Roger Abdelmassih: técnicas para avaliar qual o melhor embrião a ser implantado no núcleo e técnicas de pré-concepção, que selecionam os melhores óvulos e espermatozóides para serem usados na fertilização in vitro."A preocupação com a segurança do método tem de atingir todas as etapas. A idéia é garantir o melhor resultado a partir da escolha do óvulo", afirma Abdelmassih. Quando há suspeitas de que a célula tem alguma alteração, os médicos podem descartá-la e usar outra para ser fertilizada."Dificilmente todos os óvulos apresentam problemas", completa. Depois da fertilização, o embrião também pode ser analisado. Há dois métodos disponíveis. "Podemos avaliar o risco para cerca de 30 doenças", diz Navy.As técnicas de análise de óvulos e dos embriões serão discutidas durante o simpósio internacional Revisão Crítica dos Avanços em Reprodução Assistida, neste sábado, no Blue Tree Towers Hotel, em São Paulo. Durante o encontro, também será debatida a medicação prescrita para mulheres que vão se submeter à fertilização in vitro.Antes da retirada do óvulo, as pacientes tomam medicamentos que estimulam a ovulação. No início da terapia, esse estímulo era feito com drogas que tinham urina humana como matéria-prima. Hoje, o hormônio usado é sintético.Para obtenção de óvulos, há três drogas que podem ser usadas, cada uma com papel diferente. "Estamos avaliando dois procedimentos diferentes, tanto em mulheres com idade mais avançada quanto mais novas", diz o professor da Universidade da Califórnia Carlos Sueldo."Há várias combinações, dosagens. Nossa intenção é fornecer mais instrumentos para que o médico saiba qual a melhor indicação para sua paciente", diz Sueldo, que também passou a colaborar na clínica Abdelmassih.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2002 | 22h18

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