Estudo confirma diversidade genética humana na África

Dois bosquímanos do Kalahari têm mais diferenças entre si que um europeu e um asiático, diz genoma

Associated Press,

17 Fevereiro 2010 | 17h39

Pesquisadores que decodificaram o DNA de alguns sul-africanos encontraram novas evidências contundentes da diversidade genética no continente, e descobriram uma surpresa na árvore genealógica do arcebispo Desmond Tutu.

 

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Eles descobriram, por exemplo, que dois bosquímanos do estudo, que falavam línguas diferentes, tinham mais diferenças genéticas entre si que um europeu em relação a um asiático. E isso era verdade mesmo se um bosquímano morasse a pouca distância do outro.

 

"Se realmente quisermos entender a diversidade humana, temos de ir ao sul da África e precisamos estudar essas pessoas", disse Stephan Schuster, da Universidade Estadual da Pensilvânia. Ele é autor do estudo, que aparece na edição desta semana da revista Nature.

 

O trabalho encontrou ainda 1,3 milhão de minúsculas variações que não haviam sido observadas antes no DNA humano. Isso deve ajudar os cientistas a encontrar os genes que promovem certas doenças ou influenciam a reação a medicamentos.

 

A diversidade genética na população africana não é uma surpresa para os pesquisadores. Seres humanos modernos surgiram no continente há cerca de 200 mil anos, e viveram la´mais tempo do que em qualquer outro lugar. Então, foi onde tiveram mais tempo para desenvolver variedade genética.

 

Os diversos ambientes da África também estimularam diversificação.

 

O estudo focalizou o genoma, a totalidade do DNA de uma pessoa. Os cientistas decodificaram os genomas de bosquímanos do deserto de Kalahari e de Tutu, ganhador do Nobel da Paz de 1984 e ex-chefe da Igreja Anglicana na África do Sul.

 

Tutu foi incluído para representar a linhagem bantu, em contraste com os bosquímanos. O povo bantu tem uma tradição agrária, enquanto que os bosquímanos são caçadores-coletores e representam a mais antiga linhagem humana conhecida.

 

Mas quando pesquisadores analisaram o genoma de Tutu, descobriram que a ascendência de sua mãe incluía ao menos uma bosquímana. Tutu disse que se descobrir aparentado a esse "povo sábio" fazia com que se sentisse "muito abençoado e privilegiado".

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