Estudo desenvolve veneno natural para saúvas

Pegue algumas folhas de mamona, tempere com sementes de gergelim, acrescente alguns ácidos graxos de plantas variadas e o resultado pode ser um coquetel mortífero para as formigas saúvas, uma das principais pragas de solo do setor agrícola na América do Sul. A mistura está sendo estudada por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) como alternativa aos defensivos químicos tradicionais. Além de ser menos persistente e oferecer riscos ao meio ambiente, o composto natural combina agentes inseticidas e fungicidas, que atacam tanto as formigas quanto os fungos que servem de alimento para as larvas e para a rainha no formigueiro. Os pesquisadores selecionaram os ingredientes para o pesticida a partir de 15 plantas que repelem as saúvas naturalmente. Da folha da mamona, extraíram a ricinina; e da semente de gergelim, a sesamina. A curamina foi retirada de frutas cítricas e os ácidos graxos, de várias outras plantas. "Estamos estudando as combinações mais ativas contra as formigas", disse o coordenador da pesquisa, João Batista Fernandes, do Departamento de Química da UFSCar. Testes em laboratório indicam que as substâncias podem ser tão eficazes quanto a sulfluramida, o pesticida mais usado para o controle de formigas. Com a vantagem de ser um produto 100% natural, podendo ser usado até em plantações orgânicas. Assim como os inseticidas tradicionais, o composto pode ser aplicado por termonebulização (misturado com vapor de água quente) ou na forma de iscas atrativas, que são carregadas para dentro do formigueiro pelas próprias formigas. Em ambos os casos, a dosagem correta do inseticida é essencial. "Se o veneno for forte demais, você mata as formigas no início do formigueiro e não chega até a rainha", explicou Fernandes, cuja pesquisa já dura dez anos. "O formigueiro fica dormente por um tempo, mas depois volta." Fortaleza - Matar a rainha é a única maneira de acabar com a colônia. Isso envolve um pouco de sorte, porque ela pode estar em qualquer parte do formigueiro. No caso das saúvas, essa fortaleza subterrânea pode se extender por 100 metros quadrados, com até 6 metros de profundidade. Espaço suficiente para 20 milhões de formigas, sob o comando de uma única rainha. As saúvas atacam plantações de citros, pinus, eucalipto e cana-de-açúcar. Nas duas últimas, acarretam perdas de até 15% na produção. Elas ocorrem em toda a América do Sul, com exceção do Chile, onde não conseguiram chegar por causa dos Andes.

Agencia Estado,

13 de maio de 2002 | 09h07

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