Estudo genético mostra que os fenícios sobrevivem

Os intrépidos navegadores fenícios legaram ao mundo mais do que os alfabetos e a tintura roxa. Deixaram também seu DNA, espalhado por homens de todo o Mediterrâneo, segundo um estudo publicado na quinta-feira. Um em cada 17 homens que vive na região do Mediterrâneo porta um cromossomo Y herdado de um ancestral masculino fenício, segundo a equipe da National Geographic e da IBM, em artigo na revista American Journal of Human Genetics. "Um menino em cada sala de aula do Chipre a Túnis pode ser um descendente em linhagem masculina direta dos mercadores fenícios", disse Daniel Platt, da IBM, em nota. "Os resultados são importantes porque demonstram que os assentamentos fenícios estão marcados por uma assinatura genética distinta de qualquer outra que possa ter sido deixada por outras expansões comerciais e coloniais ao longo da história, ou que tenha emergido por acaso." Os pesquisadores participam do chamado Projeto Genográfico, lançado em abril de 2005 para investigar as origens e migrações humanas. Ao longo de cinco anos, sua meta é coletar mais de 100 mil amostras de DNA de povos indígenas e tradicionais de todo o mundo, e traçar a migração humana da África para virtualmente qualquer lugar do planeta. Em 2003, pesquisadores divulgaram na mesma revista a descoberta de que 8 por cento dos homens da Ásia Central e 0,5 por cento dos homens do mundo portavam genes que poderiam estar vinculados ao invasor mongol Genghis Khan. Os fenícios, que prosperaram entre 1.500 e 300 a.C., radicavam-se nas áreas litorâneas dos atuais Líbano e Síria. A demanda por uma tintura feita da concha de um caracol marinho na cidade de Tiro estimulou grande parte do seu comércio. "Quando começamos, não sabíamos nada sobre a genética dos fenícios", disse Chris Tyler-Smith, do instituto britânico Wellcome Trust Sanger, cujo laboratório de sequenciamento genético participou do estudo. "Tudo o que tínhamos para nos guiar era a história: sabíamos onde eles haviam e não haviam colonizado. Mas essa simples informação afinal bastou, com a ajuda da genética moderna, para localizar um povo desaparecido." Os pesquisadores usaram uma ferramenta simples -- o cromossomo Y. Exclusividade masculina, ele é passado de pai para filho intacto, exceto quando há mutações, o que permite que seja usado como "medidor" genético do grau de parentesco entre homens. Uma ferramenta semelhante é o DNA mitocondrial, transferido pelas mulheres à prole. (Reportagem de Maggie Fox)

REUTERS

30 de outubro de 2008 | 21h18

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