Estudo liga explosão de supernova a evolução do homem

Cientistas da Universidade Técnica de Munique afirmam ter descoberto no fundo do mar sinais da explosão de uma supernova que teria alterado o clima na Terra, há 3 milhões de anos, e criado condições para o desenvolvimento do homem no planeta.A informação foi publicada na revista científica Physical Review Letters, informa a agência espanhola de notícias Efe.Segundo o líder do grupo de pesquisa, Gunther Korschinek, foram encontrados isótopos de ferro-60, datados de pelo menos 2,8 milhões de anos, em uma camada sedimentária de rochas a cerca de 5 mil metros de profundidade no Oceano Pacífico, perto da linha do Equador, ao sul do Havaí.Este tipo de isótopo é uma variante do ferro muito rara no planeta, e sua origem mais provável seria uma supernova. A explosão da estrela teria lançado à Terra estes e outros elementos sólidos, além de raios cósmicos.Mudança de climaSegundo Korschinek, o bombardeio cósmico pode ter afetado a camada de ozônio do planeta e permitido maior incidência de raios ultravioleta do Sol, originando mudanças climáticas.Aquele momento, segundo os cientistas alemães, coincide com dois eventos importantes: o clima africano se tornou mais árido há cerca de 2,8 milhões de anos, reduzindo as florestas e fazendo surgir as savanas, enquanto os ancestrais do homem começavam a adotar a postura bípede, inclusive para se adaptar a essas mudanças.Os hominídeos tiveram de abandonar as árvores para buscar seus alimentos, e começaram a usar com maior freqüência somente os membros inferiores para se locomover, liberando os superiores para alcançar frutos nas plantas mais baixas e para carregar seus alimentos.O artigo, segundo a Efe, ressalva que não há confirmação de que o bombardeio cósmico tenha pesado significativamente nas mudanças climáticas que induziram a evolução humana, mas aponta a extrema coincidência destes eventos.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2004 | 10h43

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