Estudo mostra que Brasil faz mau uso da água

Um estudo internacional sobre a crise mundial de água classificou o Brasil como o terceiro mais pobre entre os países da América Latina. Conduzido pelo Conselho Mundial da Água e pelo Centro para Ecologia e Hidrologia, o trabalho atribui o mau desempenho do País a dois quesitos: o uso da água e a preservação do meio ambiente. Na classificação geral, o País alcançou a 50ª colocação.O relatório, divulgado nesta quarta-feira, avaliou 147 países a partir de cinco critérios: recursos disponíveis, acesso, capacidade, uso de água e impacto ambiental. Com esses dados, formou-se o Índice de Pobreza e de Água (IPA). Segundo essa classificação, o país mais rico é a Finlândia, e o mais pobre, o Haiti."O IPA demonstra que não é a quantidade de recursos disponíveis que determina o nível de pobreza de um país, mas sim a eficácia do uso desses recursos", afirma uma das co-autoras do índice, Carlile Sullivan, do Centro para Ecologia e Hidrologia do Reino Unido. Para ela, o IPA será um instrumento útil para governantes identificarem problemas e adotarem medidas adequadas no setor de água. Os Estados Unidos encontram-se na 32ª posição.Assim como o Brasil, a baixa classificação é atribuída ao uso ineficiente da água no nível doméstico, industrial e agrícola. No quesito ambiental, no entanto, o país saiu-se bem, principalmente quando comparado a outros países industrializados. O Japão, por sua vez, alcançou a 34ª colocação: seu ponto fraco é a contaminação do meio ambiente.Em 2000, estimava-se que 20% da população mundial sofria da escassez de água. Esse índice poderá subir para 30% em 2025. "Em muitos países, a escassez da água surge do uso ineficiente, do desperdício ou da contaminação. Perdas que podem demorar anos para serem compensadas. O IPA mostra isso de forma valiosa", afirma Mahmoud Abu Zeid, presidente do Conselho Mundial de Água.O documento afirma haver forte relação entre a "pobreza da água" e a miséria. Também demonstra a relação entre o IPA e indicadores de saúde. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, doenças diarreicas são responsáveis por cerca de 3 milhões de mortes anuais.

Agencia Estado,

11 de dezembro de 2002 | 21h25

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