Estudo mostra que células-tronco formam neurônios naturalmente

Células-tronco da medula óssea possuem uma capacidade natural para formar novos neurônios e reparar lesões no cérebro, segundo estudo publicado esta semana na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA. Seria possível, portanto, utilizar essas células no tratamento de doenças degenerativas do sistema nervoso sem a necessidade de transplantes ou clonagem de embriões, apenas amplificando seu poder de cura no organismo.Os pesquisadores estudaram amostras de tecido cerebral de quatro pacientes mortas que receberam transplantes de medula óssea de um doador do sexo masculino. Nelas encontraram neurônios contendo o cromossomo Y, marcador genético do homem, que só poderiam ter vindo da medula transplantada.Apesar de o número de novos neurônios ser muito pequeno - de 3 a 7 em cada 10 mil -, ficou claro que células-tronco fabricadas pela medula óssea se diferenciaram para formar células nervosas, diz a pesquisadora Eva Mezey, coordenadora da pesquisa nos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.Eva acredita que esse processo ocorre regularmente no organismo, como forma de reparar pequenas lesões no tecido cerebral. Quando surge um problema mais sério, como nos casos de derrame ou doenças degenerativas, a demanda torna-se grande demais para o organismo. "É nesse ponto que podemos intervir", diz. "Se econtrarmos uma maneira de atrair essas células-tronco para o cérebro, podemos ajudá-lo a se auto-reparar."O estudo é apenas o primeiro passo em uma longa caminhada que poderá levar ao novo tratamento, mas abre, de imediato, um novo capítulo no debate sobre o uso terapêutico das células-tronco. A medula óssea é a principal fonte desse tipo de célula no organismo adulto, mas os cientistas não têm certeza sobre quantos tipos de tecido elas são capazes de formar, além do sangue. "Acredito que elas tenham potencial para formar qualquer coisa. A pergunta é quanto disso está ocorrendo na vida real", afirma Eva.

Agencia Estado,

21 de janeiro de 2003 | 20h34

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