Estudo mostra que pterossauros preferiam ficar no chão

Esses répteis gigantes eram os dinossauros voadores mais célebres até hoje

Efe

27 de maio de 2008 | 20h24

Alguns dos répteis gigantes voadores da era dos dinossauros passavam mais tempo no chão do que no ar e estavam mais adaptados à vida em terra, segundo um estudo da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, publicado na revista científica PLoS ONE. Até agora, os paleontólogos pensavam que todos os pterossauros que povoaram a Terra entre 230 e 65 milhões de anos, eram parecidos com as gaivotas ou pelicanos, pássaros marítimos que sobrevoam lagos e oceanos procurando peixes. Porém, após o estudo da anatomia, das pegadas e da distribuição de fósseis de um pterossauro, o Azhdarchidae, os paleontólogos Mark Witton e Darren Naish asseguraram que este estereótipo não se aplica a todos os répteis voadores. A dupla analisou fósseis desta espécie em Londres, Portsmouth e na Alemanha. Witton e Naish chegaram à conclusão de que se alimentavam em terra, "onde se agachavam para capturar animais e outras presas". "Seus análogos mais próximos no mundo moderno são pássaros que se alimentam em terra, como os calaus (da família bucorvidae) e as cegonhas", segundo Naish. O paleontólogo disse à Agência Efe que outra evidência desta teoria é que a maioria dos fósseis de Azhdarchidae existentes foram encontrados em sedimentos terra dentro, em uma região que também era terrestre há milhões de anos. Os Azhdarchidae eram pterossauros gigantes sem dentes, com asas de até 10 metros de envergadura. Os maiores exemplares da espécie chegavam ao tamanho de uma girafa. Segundo o estudo publicado na Public Library of Science (PLos), seus longos membros e a forma alongada de seu crânio, que podia medir mais de dois metros, facilitavam a captura de animais e outros alimentos no solo. Desde a década de 1970, quando a espécie começou a ser conhecida, o modo de vida dos Azhdarchidae foi objeto de debate e de versões distintas que os descreviam como carniceiros semelhantes aos abutres. Havia quem os comparasse às aves praieiras que buscam o sustento no barro ou que voam acima d'água em procura de peixes. Os pesquisadores britânicos também estudaram o pescoço do Azhdarchidae, que se caracterizava por uma rigidez que, segundo sua opinião, "se ajusta ao modelo de um caçador terrestre, que tudo o que necessita é levantar ou descer seu bico até o solo". Suas patas relativamente pequenas e almofadadas além de suas mandíbulas longas e frágeis seriam prejudiciais para qualquer outro modo de vida que não fosse terrestre, afirmou Witton no estudo. "As pequenas extremidades do Azhdarchidae  não eram adequadas para tatear pelas margens dos lagos ou para nadar se aterrissassem na água, mas eram excelentes para se deslocar por terra", acrescentou. "Estudamos suas pegadas. Suas patas pequenas, compactas, mas bem almofadadas são exatamente o que se espera de um animal terrestre", declarou Naish.

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