Estudo põe em dúvida existência de água em Marte

Uma pesquisa divulgada nasexta-feira jogou areia na tese, surgida em 2006 a partir deimagens feitas pela Nasa, de que Marte poderia ter tido água emsua superfície nos últimos dez anos. De acordo com o estudo, novas imagens e simulaçõescomputadorizadas indicam fortemente que um deslizamento deareia e cascalho é a explicação mais provável para os depósitosbrilhantes em valas, o que até então foi visto como prova deque havia água recentemente nesses lugares. "Começamos sem pensar que íamos desmascarar algo. Acheiabsolutamente que seria líquido", disse por telefone JonPelletier, professor de Geociências da Universidade do Arizona,responsável pelo estudo publicado na revista Geology. Usando imagens anteriores da sonda Mars Global Surveyor, daNasa, junto com outras leituras mais recentes e de maiorresolução de dados da Mars Reconnaissance Orbiter, a equipecriou figuras tridimensionais de uma das formações geológicas,mostrando o fluxo morro abaixo, na direção de uma cratera. Em seus computadores, os cientistas simularam as condiçõesem que isso poderia acontecer. Os fluxos líquidos na verdadenão se encaixavam no modelo, enquanto os fluxos de materialseco e granulado, como areia e cascalho, se enquadravam quase àperfeição no modelo. "O que esperávamos era descartar o modelo do fluxo seco --mas isso não aconteceu", disse Alfred McEwen, professor deCiências Planetárias da Universidade do Arizona, em nota àimprensa. Pelletier afirmou que sua pesquisa não pode descartartotalmente a presença de água na vala, que mede cerca de 500metros de comprimentos e 100 de largura. Outra possibilidade seria a de um fluxo de lama quecontenha cerca de 50-60 por cento de sedimentos, com umaconsistência semelhante à de melado ou lava. A presença de água em Marte é um dos assuntos que maisinteressam os astrônomos, já que poderia ser indicação de quehá ou houve vida no planeta vizinho.

WILL DUNHAM, REUTERS

29 de fevereiro de 2008 | 20h34

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