Davide Bonadonna
Davide Bonadonna

Estudo prova que Brontossauro é um gênero à parte

Desde 1903, cientistas acreditavam que o famoso réptil pré-histórico era apenas uma espécie do gênero Apatossauro

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

07 Abril 2015 | 08h00

Embora seja um dos dinossauros mais famosos, o Brontossauro era visto pela comunidade científica como um caso clássico de erro de classificação: desde 1903, acreditava-se que os animais identificados como Brontossauros pertenciam na realidade ao gênero Apatossauro, outro imenso réptil pré-histórico. Mas, agora, um estudo exaustivo realizado por cientistas portugueses e britânicos provou que o Brontossauro é de fato distinto do Apatossauro, restabelecendo sua classificação como um gênero próprio e único. O trabalho, de 300 páginas, foi publicado nesta terça-feira, 7, na revista científica PeerJ.

O gênero Brontossauro - nome que significa "lagarto trovão" -, descoberto em 1870, viveu há cerca de 150 milhões de anos e tinha aproximadamente 30 toneladas. Desde 1903, entretanto, os paleontologistas decidiram que as diferenças entre sua principal espécie, o Brontosaurus excelsus, e o Apatossauro eram tão pequenas que seria mais adequado classificá-los como pertencentes a um só gênero. Como o Apatossauro foi nomeado antes, seu nome deveria prevalecer, segundo as regras de nomenclatura científica. 


A partir daí, embora o nome Brontossauro tenha ficado popular, os cientistas passaram a tratar o réptil como apenas mais uma das várias espécies do gênero Apatossauro. O nome oficial da espécie passou, assim, a ser Apatosaurus excelsus. No novo estudo, os paleontologistas Emanuel Tschopp, Octávio Mateus e Roger Benson conseguiram provar, finalmente, que o Brontossauro de fato pertence a um gênero à parte. O nome do réptil agora volta a ser Brontosaurus excelsus.

De acordo com Tschopp, da Universidade Nova de Lisboa (Portugal), graças a uma série de avanços científicos foi possível refutar, com um único estudo, mais de um século de pesquisas. Nos últimos anos, diversas descobertas de dinossauros semelhantes ao Apatossauro e ao Brontossauro permitiram que os cientistas investigassem a fundo as diferenças entre eles. "Há 15 anos, nosso estudo não teria sido possível nesse nível de detalhamento. Até muito recentemente, com base no conhecimento disponível, era bastante razoável a ideia de que o Brontossauro e o Apatossauro faziam parte de um só gênero", afirmou Tschopp. 

Na ciência, a distinção entre espécies e gêneros nem sempre é clara. Mas, segundo Tschopp, isso não significa que a decisão de "ressuscitar" o Brontossauro seja subjetiva. "Nós tentamos ser o mais objetivos possível nos momentos em que precisamos tomar decisões que pudessem diferenciar entre espécies e gêneros", declarou. 

Os cientistas aplicaram abordagens estatísticas para calcular as diferenças entre outras espécies e gêneros de dinossauros da família dos diplodocídeos - como o Brontossauro - e ficaram surpresos com os resultados. "As diferenças que encontramos entre o Brontossauro e o Apatossauro eram, no mínimo, tão numerosas quanto as que existem entre outros gêneros próximos entre si - e muito mais numerosas que as diferenças encontradas normalmente entre espécies", disse Benson, da Universidade de Oxford (Reino Unido).

A partir dessas diferenças, os pesquisadores concluíram ser possível "ressuscitar" o Brontossauro como um gênero distinto do Apatossauro. "Esse é um exemplo clássico de como funciona a ciência. Com novas descobertas, é possível derrubar anos de pesquisas - especialmente quando as hipóteses iniciais se baseiam em fragmentos de fósseis", declarou Mateus, da Universidade Nova de Lisboa. 

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