Estudo rastreia vírus da Aids ao início do século 20

Cientistas dizem que o HIV descende de um vírus de chimpanzé que saltou para a espécie humana

Associated Press,

01 de outubro de 2008 | 14h09

O vírus causador da Aids circula entre a população humana há pelo menos 100 anos, décadas antes do que os cientistas acreditavam até agora, sugere um novo estudo.    A epidemia da Aids no mundo   A análise genética empurra a origem do HIV para entre 1884 e 1924, com a estimativa mais focada em 1908. Anteriormente, cientistas haviam calculado a origem do vírus em por volta de 1930. A Aids só foi reconhecida em 1981, quando chamou a atenção das autoridades sanitárias dos Estados Unidos.   O novo resultado "não é uma revisão fundamental", diz o autor do estudo, Michael Worobey, da Universidade do Arizona. "Mas significa que o vírus estava circulando abaixo do nosso radar há mais tempo do que supúnhamos".   O resultado aparece na edição desta quinta-feira, 2, da revista Nature. Os pesquisadores destacam que a nova data coincide com o surto de urbanização na África, e sugerem que o avanço das cidades pode ter promovido a presença original e disseminação inicial do HIV.   Cientistas dizem que o HIV descende de um vírus de chimpanzé que saltou para a espécie humana na África, provavelmente num local onde as pessoas consumiam carne de chimpanzé. Muitas pessoas provavelmente foram infectadas desse modo, mas ele se transmitiu para muito poucas outras e, por isso, não obteve uma cabeça de ponte firme.   Mas o crescimento das cidades africanas pode ter mudado isso, pondo muitas pessoas em contato e promovendo a prostituição, sugere Worobey. "Cidades são ideais para um vírus como o HIV", oferecendo mais oportunidades para as pessoas infectadas contagiarem outras.   Talvez uma pessoa infectada com o vírus da Aids numa zona rural tenha visitado o que hoje é Kinshasa, no Congo, "jogando um fósforo aceso na pilha de lenha", disse o cientista.   A chave para o novo trabalho foi a descoberta de uma amostra de HIV tirada de uma mulher de Kinshasa em 1960. Essa é a segunda amostra conhecida anterior a 1976. A outra é de 1959, também de Kinshasa. Os cientistas valeram-se do fato de que o HIV sofre mutações rapidamente. Assim, duas cepas derivadas de um ancestral comum diferenciam-se cada vez mais com o passar do tempo, o que permite aos cientistas cronometrar o tempo decorrido entre as mudanças.   O novo trabalho usa dados genéticos das duas amostras mais antigas do HIV, juntamente com 100 amostras atuais, para criar uma árvore genealógica que vai até o ancestral comum de todos os exemplares. Surgiram várias faixas de tempo possíveis, mas o intervalo 1884-1924 é o mais provável, disse Worobey.

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