Estudo reforça papel do Homem no aquecimento do planeta, mas com impacto menor

Uma nova análise dos dados fornecidos durante 24 anos por satélites meteorológicos constatou que as temperaturas estão se elevando nas camadas mais baixas da atmosfera - a chamada troposfera - a um ritmo condizente com o que foi medido na superfície da Terra. A constatação é sutil, mas significativa. Ela permite, mais do que nunca, afirmar que as emissões de dióxido de carbono e de outros gases do chamado efeito estufa, que aprisionam o calor, estão alterando notavelmente o clima.Mas, ao mesmo tempo, a nova pesquisa está mostrando que, pelo menos até agora, a influência dos gases do efeito estufa parece ter sido mais modesta do que previam anteriormente os especialistas em clima. Depois de um ano de revisão e debates em workshops, essas conclusões aparecem na atual edição de The Journal of Climate.O novo estudo, realizado por especialistas em satélites no Remote Sensing Systems, da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) e do Departamento do Comércio dos Estados Unidos, corrige divergências nos dados obtidos por diferentes satélites meteorológicos. Estudos anteriores, usando os mesmos dados, não mostraram nenhum aquecimento da troposfera e foram apresentados com destaque como indício de que o aquecimento climático não tem relação direta com as emissões de gases.Projeções e realidadeFrank Wentz, autor do estudo e diretor da empresa que realizou a pesquisa, disse que o constante refinamento dos dados climáticos foram ?confirmando? parcialmente as projeções sobre o aquecimento global feitas por pesquisadores com programas de computador. Ou seja, os dados dos satélites e as projeções ficaram mais ?próximos?.Thomas Karl, diretor do Centro Nacional de Dados sobre o Clima em Asheville, Carolina do Norte, afirmou que o novo trabalho "é um significativo passo à frente", mas destacou que ainda será preciso mais trabalho para conciliar as persistentes diferenças entre os padrões de clima criados no computador e a realidade.John Christy, cientista da Universidade de Alabama em Huntsville, admitiu que a diferença entre as projeções e os dados está diminuindo um pouco. Mas acrescentou que as provas apontam mais firmemente para um impacto modesto. Christy, que por muito tempo foi um crítico destacado das catastróficas previsões a respeito do clima, afirmou: "Durante muitos anos, nos esforçamos para conseguir alguns limites para isso, mas a coisa simplesmente não caminha nessa direção dramática e catastrófica."clique para ler em Aquecimento global: estudo traz novos dados Há cada vez menos neve no Kilimanjaro

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