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Estudo revela origem comum de cães da Europa e da Ásia

Sequenciamento de genomas de animais do Neolítico mostra ainda que cachorros foram domesticados de 20 mil a 40 mil anos atrás

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2017 | 12h00

SÃO PAULO - Um novo estudo mostra que o genoma dos cães arcaicos da Europa é semelhante ao dos cães modernos, que por sua vez têm uma única origem geográfica. Para realizar a pesquisa, um grupo internacional de cientistas analisou o genoma de dois fósseis do Neolítico, de cães que viveram na Alemanha e na Irlanda, há 7 mil e 4,8 mil anos, respectivamente.

De acordo com os autores do artigo, publicado nesta terça-feira, 18, na revista Nature Communications, o objetivo do estudo era entender a relação genética entre cães arcaicos e modernos.

Além de revelar que eles têm raízes genéticas comuns, a pesquisa também mostrou que há uma continuidade genética entre os cães domesticados desde o início do Neolítico, há 7 mil anos, até a atualidade.

De acordo com o autor principal da pesquisa, Krishna Veeramah, da Universidade Stony Brook, em Nova York, nos Estados Unidos, os resultados do estudo permitiram fazer uma estimativa mais precisa da evolução canina: os lobos e os cães divergiram a partir de um ancestral comum há cerca de 40 mil anos, enquanto as linhagens de cães do Ocidente e do Oriente divergiram há 20 mil anos.

A partir desses resultados, os cientistas concluíram que a domesticação dos cães ocorreu pela primeira vez em algum momento entre 20 mil e 40 mil anos atrás, em uma só região geográfica. Com isso, o novo estudo contradiz os resultados de pesquisas anteriores que propunham dois momentos separados de domesticação, um no Oriente e outro no Ocidente.

Segundo Veeramah, a Europa tem um papel central na evolução dos cães: o continente abriga os mais antigos fósseis confirmados de cães, no Paleolítico, e historicamente foi o centro mundial da criação de cães com objetivo de desenvolver determinadas características - o que levou à multiplicação das diferentes raças que existem atualmente.

"Sequenciamos os genomas de cães do início e do final do Neolítico e ambos demonstraram continuidade genética entre si e com os cães europeus modernos", escreveu Veeramah. "Não encontramos evidências genéticas para apoiar a hipótese recente de uma dupla origem da domesticação dos cães."

Ao estimar que a divergência entre lobos e cães tenha ocorrido há 40 mil anos - o que segundo os autores é coerente com os estudos já realizados sobre o genoma do lobo -, os cientistas puderam inferir o intervalo de tempo no qual o cão foi domesticado.

"Como a domesticação deve ter ocorrido depois da divergência entre o lobo e o cão, há 40 mil anos e antes da divergência entre os cães do Ocidente e do Oriente, há 20 mil anos, nosso estudo coloca um limite máximo e mínimo para a domesticação do cão: entre 40 mil e 20 mil anos atrás", disse Veeramah.

Além do momento da domesticação, estudo também indica que ela ocorreu em uma só região geográfica, mas não foi possível determinar qual.

"Até agora, o sudeste da Ásia, a Europa, o Oriente Médio e a Ásia central foram propostos como potenciais locais da origem da domesticação do cão", afirmou Veeramah. "Nossas análises não são antigas o suficiente, nem têm a distribuição geográfica necessária para resolver esse debate."

Segundo Veeramah, a descoberta revela que a história do cão doméstico "é tão intrincada como a das pessoas que viveram ao lado deles". 

"A inferência dos padrões complexos de fluxos genéticos é desafiadora, ou mesmo impossível, quando apenas amostras de cães modernos são estudadas. Assim, adquirir um conjunto maior de amostras arcaicas, incluindo representantes do sudeste da Ásia, da Ásia central e do Oriente Médio será crucial para, no futuro, esclarecer os detalhes da evolução e domesticação dos cães."

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