Estudo vê Ártico e Antártida menos gelados por ação humana

Segundo os cientistas, é a primeira vez que o aquecimento pode ser atribuído a humanos

Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo,

30 de outubro de 2008 | 21h40

Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira, 30, na revista Nature Geoscience demonstra, pela primeira vez, que a ação humana é responsável pelo significativo aumento da temperatura nos pólos nas últimas décadas. O aquecimento no Ártico e na Península Antártica (região mais ocidental do continente) já havia sido comprovado antes, mas as mudanças não foram atribuídas diretamente à influência do homem, que permanecia como uma das hipóteses possíveis, mas sem comprovação. Veja também: Mapa das emissões de carbono   As ações diárias que salvam o planeta   Os cientistas da Universidade de East Anglia (Inglaterra) utilizaram dados sobre temperatura obtidos na superfície das duas regiões. Para o Ártico, foram considerados registros de janeiro de 1900 a julho de 2008. Já na Antártida, só estavam disponíveis dados a partir de 1950. Criaram-se quatro modelos para identificar as causas do aquecimento. Quando a variável "ação humana" era desconsiderada nas simulações, os modelos não explicavam de forma satisfatória o aumento da temperatura. O principal autor do trabalho, Nathan Gillett, considera muito importante diminuir a emissão dos gases causadores do efeito estufa. "Seriam necessários séculos para reverter o processo de aquecimento, mas podemos reduzir os impactos", afirma Gillett. Peter Stott, que também participou do estudo, considera que muitas pessoas ainda não reconhecem as mudanças climáticas como um problema. "Com isso, não há uma redução substancial dos gases do efeito estufa", pondera. Para Jefferson Simões, do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do sul, a questão ambiental no Brasil costuma estar sempre centrada na Amazônia. "A Antártida também deve ser uma prioridade para o País", considera Simões. "Ela desempenha um papel muito importante para o equilíbrio climático no País, especialmente na região sul." Simões explica que o aquecimento é muito mais severo no Ártico do que na Antártida. No pólo norte, há um aumento uniforme da temperatura. Já no sul, apenas a Península Antártica está mais quente - na realidade, é a região do globo que mais sofreu com o aquecimento até agora. No resto do continente antártico, a temperatura permaneceu estável ou diminuiu. O pesquisador brasileiro prevê mudanças no regime de absorção de energia do planeta e nos padrões das correntes oceânicas com o aquecimento nos pólos. "Tais transformações poderão gerar grandes mudanças nas biotas", considera Simões. Gillett afirma que está trabalhando em um projeto para incorporar a diminuição na camada de ozônio na análise das mudanças climáticas na Antártida.

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