Ethos vai mapear retorno de investimento sustentável

O Instituto Ethos começa nos próximos dias a coleta de material para uma pesquisa com empresas brasileiras sobre os benefícios de negócios resultantes de melhorias sociais e ambientais implementadas pelas companhias. A expectativa é que as primeiras conclusões sobre o retorno de investimento sustentável possam ser conhecidas em outubro. A pesquisa, intitulada "Criando Valor", já foi realizada pelo instituto - em parceria com a consultoria inglesa SustainAbility e com o IFC, braço do Banco Mundial - com 240 companhias de 60 países em mercados emergentes. Desse universo, 15% dos casos eram brasileiros. A gerente de gestão de conhecimento e relações internacionais do Ethos, Neumara Arbex, contou que haverá um site para as empresas divulgarem suas experiências. O objetivo, segundo ela, é avaliar as decisões das companhias e o seu impacto sobre os negócios. A executiva ressaltou que é importante acompanhar o resultado da pesquisa com as empresas nacionais porque "o Brasil é uma vitrine de iniciativas e inovações" em atividades de sustentabilidade. De acordo com Neumara, a pesquisa demonstrou que as companhias que investem em questões ambientais e sociais apresentam crescimento de receita, redução de custos, maior acesso a diversos mercados e melhoria de imagem. Além disso, o relacionamento com as partes interessadas - público consumidor, fornecedores, clientes, empregados e população local - acaba reduzindo os riscos das empresas. Segundo a executiva, o estudo para países emergentes indicou que no Brasil o relacionamento entre a área externa e a companhia é pouco explorado. Neumara acredita que esse fato se deve à tradição de gestão familiar e centralizadora do País. Além disso, as organizações civis existem em número reduzido, o que dificulta o desenvolvimento de uma cultura de relação com empresas. O assunto vem ganhando corpo no Brasil e está cada vez mais entrando na lista de observação dos investidores. Recentemente, dirigentes de alguns dos maiores fundos de pensão decidiram criar um grupo para fomentar a cultura de investimento socialmente responsável. O grupo vai desenvolver o "Programa de Responsabilidade Social dos Fundos de Pensão". O projeto, que reunirá gestores de um patrimônio de R$ 200 bilhões, terá apoio da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). O grupo terá representantes dos fundos Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás), Funcef (Caixa Econômica Federal), Valia (Vale do Rio Doce), Real Grandeza (Furnas), Banesprev (Banespa), Previmina e Copel.

Agencia Estado,

16 de abril de 2003 | 07h47

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