EUA celebram 50 anos de sua entrada na corrida espacial

Quatro meses depois dos soviéticos, os EUA mostraram que havia uma disputa de fato pelo espaço

John Noble Wilford, The New York Times

29 de janeiro de 2008 | 14h47

Se o Sputnik 1 foi o bip-bip-bip que se fez ouvir ao redor do mundo, o Explorer 1 anunciou-se há 50 anos, nesta semana, pelo suspiro coletivo de alívio do público nos Estados Unidos.    Sputnik: 50 anos   Foi tarde da noite de 31 de janeiro de 1958, quase quatro meses depois da União Soviética chocar o mundo em 4 de outubro com o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra. Um segundo Sputnik, maior, logo se seguiu, levando uma passageira canina.   A primeira tentativa americana, com o modesto Vanguard 1, em dezembro, foi um fracasso vergonhoso, imediatamente ridicularizado como "flopnik" ("falhanik").   Agora, estava a cargo de um foguete montado com tecnologia do V-2 alemão e estágios superiores americanos levar o delgado Explores para a órbita. A decolagem do Cabo Canaveral  pareceu boa. Foi um progresso. O Vanguard havia falhado poucos metros acima da base de lançamento, caindo e explodindo para todo mundo ver, ao vivo, pela TV.   Mas os controladores de vôo esperaram e esperaram por um sinal de que o Explorer havia entrado em órbita. Antenas de rastreamento eram raras naqueles dias e as comunicações, pouco confiáveis. Apenas quando o satélite já havia quase completado uma volta ao globo que o sinal finalmente foi recebido, por radioamadores alertas na região de Los Angeles.   As notícias eram boas. Líderes da equipe Explorer, que aguardavam em Washington, correram à Academia Nacional de Ciências e proclamaram que os EUA haviam respondido, com sucesso, ao desafio soviético. A corrida espacial estava em disputa.   Numa entrevista coletiva concedida às 2 da madrugada na academia, os três líderes - Wernher von Braun, cientista de foguetes; William H. Pickering, diretor do laboratório que havia construído o satélite; e James Van Allen, o cientista-chefe - ergueram uma réplica do Explorer como se fosse um troféu.  A foto simbolizava a entrada do país no espaço.   "Muitos elementos então se uniram para compor esta imagem simbólica", escreve Steven J. Dick, historiador-chefe da Nasa. Ali estavam as pessoas e a tecnologia, destaca ele, e a mídia "presente sabendo que o evento estava destinado a ter proporções históricas".   Foi o início de meio século de vôos espaciais para os Estados Unidos, acrescenta ele, que podem ter desapontado os visionários mais otimistas, inspirado outros e atraído cinismo como "um desvio de recursos que seriam melhor usados em problemas terrestres".   Em um artigo no site da Nasa sobre o aniversário do Explorer, Dick conclui: "Como a ferrovia e o avião, o vôo espacial afetou a sociedade de formas que nem mesmo os visionários poderiam prever, e que não conseguimos compreender nem esmo hoje".

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