EUA mapeiam genes de bactéria usada contra praga

Os cientistas decifraram o mapa genético de uma bactéria que serve como "soldado" na guerra biológica contra o fogo bacteriano, uma praga que ataca principalmente os cultivos de maçãs e pêras no mundo todo. A doença tem como agente patogênico a bactéria Erwinia amylovora.O Serviço de Pesquisa Agropecuária (ARS) na Universidade Estadual do Oregon e o Instituto de Pesquisa Genômica em Rockville (Maryland) focaram sua atenção na bactéria Pseudomonas fluorescens Pf-5, usada para combater o fogo bacteriano. A P. fluorescens Pf-5 vive nas raízes e sementes e protege as plantas contra as doenças."A seqüência do genoma nos ajuda a identificar novos procedimentos químicos que o micróbio usa, aparentemente, para criar o que se conhece como metabolismos secundários, que incluem, possivelmente, novos compostos antibióticos", explicou Ian Paulsen, que dirigiu o estudo no instituto de Maryland.Novos genes"Encontramos provas de que o P. fluorescens pode ter adquirido novos genes, chamados ilhas genômicas, através da transferência lateral de bacteriófagos" - ou seja, vírus que matam outras bactérias -, disse Paulsen.O estudo, publicado neste domingo na Nature Biotechnology, apresenta a primeira seqüência completa do genoma de um agente de controle biológico para o combate de doenças das plantas.Joyce Loper, patologista do Serviço de Pesquisa Agropecuária do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, disse no artigo que "esta seqüência do genoma revela características antes desconhecidas do P. fluorescens, o que aumenta seu potencial para o controle biológico".DoençaO fogo bacteriano é uma doença destrutiva e altamente infecciosa que pode atacar os botões de flores, as folhas, os galhos, os frutos e as raízes das árvores. A bactéria passa o inverno nos galhos infectados e, na primavera, atrai abelhas e outros insetos que disseminam a doença.Uma vez estabelecida na árvore, a bactéria causadora do fogo bacteriano invade rapidamente a folhagem: os galhos morrem e ficam como se estivessem queimados, com uma cor amarela ocre.Resistência"Durante décadas, os agricultores combateram o fogo bacteriano fumigando as árvores com antibióticos como a estreptomicina", explicou Loper. "Mas em muitas regiões o agente patogênico - a bactéria Erwinia amylovora - desenvolveu resistência à estreptomicina e, por isso, os métodos de combate biológico se tornaram mais valiosos", acrescentou.O fogo bacteriano causa graves danos também nos cultivos de ameixas, cerejas, pêssegos, framboesas e morangos. Além da fumigação com estreptomicina, os produtores recorrem à poda para tentar controlar a praga.acesse:   home page da Nature Biotechnology

Agencia Estado,

27 de junho de 2005 | 09h57

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