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EUA voltarão a produzir plutônio, agora para sondas da Nasa

Agência espacial precisa do material radiativo para alimentar sondas enviadas para além do planeta Júpiter

Associated Press,

07 de maio de 2009 | 17h36

A Nasa está ficando sem o combustível nuclear necessário para a exploração do espaço profundo, onde a energia solar não é suficiente para manter as sondas operando.

 

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O fim da corrida armamentista nuclear da Guerra Fria fez com que a agência espacial ficasse sem plutônio suficiente para as sondas espaciais futuras, de acordo com  estudo divulgado nesta quinta-feira, 7, pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

 

Sondas ao espaço para além de Júpiter não podem usar energia solar, porque estão longe demais do Sol. Por isso, dependem de um tipo específico de plutônio, o plutônio 238, que alimenta as naves com o calor de seu decaimento radiativo. Mas essa substância não existe na natureza: é um subproduto da produção de armas nucleares.

 

Os Estados Unidos pararam de produzi-lo há 20 anos, e a Nasa vem contando com material de origem russa desde então. Mas agora o suprimento russo também está acabando, porque Moscou também cessou a produção.

 

O Departamento de Energia dos EUA anunciou, nesta quinta, que reiniciará o programa de produção de plutônio 238. A porta-voz Jen Stutsman disse que a agência tem uma proposta de US$ 30 milhões no orçamento para 2010 para o design e obras de engenharia preliminares. O Estado da Academia mostra por que o investimento é necessário, afirmou.

 

"Se não tivermos esse material, simplesmente não faremos" missões no espaço profundo, disse o cientista da Universidade Johns Hopkins Ralph McNutt, que controla experimentos a bordo de diversas sondas da Nasa.

 

A lei dos Estados Unidos só permite que o Departamento de Energia produza plutônio. Ano passado, o administrador da Nasa, Michael Griffin, escreveu ao então secretário de Energia, Samuel Bodman, pedindo mais plutônio.

 

O relatório da Academia diz que o custo de retomar a produção dos 5 quilos da substância consumidos anualmente pela Nasa será de US$ 150 milhões.

 

Futuras missões que preveem o uso de plutônio incluem o Mars Science Laboratory, um robô do tamanho de um carro que deverá ser enviado a Marte em 2011, e um tour dos planetas externo - localizados para além de Marte - previsto para 2020.

 

As últimas missões a usar plutônio foram a New Horizons, em curso para Plutão, e a Cassini, que investiga o sistema de anéis e luas de Saturno. Geradores movidos a plutônio funcionam por muito tempo: as naves Voyager, lançadas em 1977, continuarão a operar até 2020, diz McNutt.

 

Vários ativistas protestaram contra o lançamento da Cassini, no final do século passado, criando até mesmo um movimento online - algo novo para a época - o Stop Cassini - por conta de temores de contaminação da atmosfera terrestre ou das luas de Saturno, em caso de problemas com a sonda. A Nasa argumentou que esses medos eram infundados.

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