Europa lança maior telescópio espacial da história

Dois observatórios vão monitorar estrelas nascendo e a luz formada após o Big Bang

Jonathan Amos, BBC

14 de maio de 2009 | 19h51

Dois telescópios espaciais, Herschel e Planck, foram lançados nesta quinta-feira, 14, pela Agência Espacial Europeia para investigar os primórdios do Universo e estudar a luz mais antiga existente, formada apenas 380 mil anos após o Big Bang. O Herschel é o maior telescópio espacial que já se tentou colocar em órbita.

Segundo os especialistas, as informações obtidas pelos telescópios têm o potencial de questionar teorias atuais da Física e até trazer evidências da existência de um outro Universo anterior ao atual. Os telescópios, com custo de US$ 2,89 bilhões, foram lançados a bordo de um único foguete partindo de uma base na Guiana Francesa.

Os satélites vão se separar e seguir em rotas diferentes para posições de observação a mais de 1,5 milhões de quilômetros de distância da Terra.

Maior da História

O espelho primário do Herschel, com 3,5 metros de diâmetro, é uma vez e meia maior do que o refletor principal do telescópio Hubble. O telescópio traz inovações tecnológicas que lhe permitem observar, através de nuvens de poeira e gás, estrelas no momento em que elas nascem.

As inovações também permitem que o Herschel observe distâncias inimagináveis no espaço, para ver galáxias que existiram quando o Universo tinha entre a metade e um quinto de sua idade atual.

Astrônomos acreditam que, nesse período da história cósmica, a formação de estrelas estava no seu ponto mais prolífico. "(O telescópio) Herschel vai nos ajudar a entender muito, muito melhor, como as estrelas se formam nesse exato momento e como elas vêm se formando em bilhões de anos de história cósmica", disse Göran Pilbratt, cientista do projeto Herschel, da Agência Espacial Europeia, à BBC.

''Multiverso''

O outro telescópio, Planck, vai mapear o céu com ondas de luz de comprimentos ainda mais longos, na porção de micro-ondas do espectro eletromagnético. O Planck vai fazer as medições mais detalhadas daquilo que os cientistas chamam Cosmic Microwave Background (CMB), a Radiação Cósmica de Fundo.

Formado 380 mil anos após o Big Bang, esse sinal tênue de micro-onda é o calor remanescente da grande explosão que originou o Universo, a "luz mais antiga" existente, e que ainda cerca o Universo nos dias de hoje. "(O telescópio) Planck tem a visão mais apurada até hoje, os instrumentos mais sensíveis e a gama mais ampla de frequência" disse o cientista do projeto Planck da ESA, Jan Tauber.

"Ele vai nos permitir identificar todas as características básicas do Universo com grande precisão - sua idade, seus conteúdos, como evoluiu, sua geometria, etc". Uma questão-chave envolvendo o telescópio Planck diz respeito à chamada "inflação". Ela é a expansão mais rápida do que a luz que, os cosmólogos acreditam, o Universo teria sofrido em seus primeiros momentos de existência.

A teoria prevê que este evento tenha sido "impresso" na CMB e que a informação possa ser resgatada com instrumentos suficientemente sensíveis. O Planck foi desenhado para ter essa capacidade. "Vamos investigar questões nunca estudadas, onde a Física é muito, muito incerta", disse o cientista George Efstathiou, da Cambridge University, na Grã-Bretanha.

"É possível que encontremos uma marca impressa antes do Big Bang, ou é possível que encontremos uma marca de outro Universo e então teremos encontrado evidências de que somos parte de um 'Multiverso'", acrescentou.

"Vamos investigar questões nunca estudadas, onde a Física é muito, muito incerta", disse o cientista George Efstathiou, da Cambridge University, na Grã-Bretanha. "É possível que encontremos uma marca impressa antes do Big Bang, ou é possível que encontremos uma marca de outro Universo e então teremos encontrado evidências de que somos parte de um 'Multi-verso'", acrescentou.

 

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